Cientistas identificaram uma nova espécie de gato selvagem na Bolívia, na região de Yungas, área de transição entre a Cordilheira dos Andes e a Floresta Amazônica.
O animal, batizado de Leopardus tilcayo, é chamado de Tilcayo pela população local e representa a primeira espécie felina descrita pela ciência em mais de 100 anos.
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A descoberta foi publicada nesta quinta-feira (17) na revista científica Current Biology. No estudo, os pesquisadores detalham como identificaram o animal e de que forma o diferenciaram de outras espécies já conhecidas.
O ponto de partida da identificação ocorreu em 2017, quando uma família boliviana cuidou de um Tilcayo em casa e depois o entregou ao santuário Senda Verde Wildlife Sanctuary.
Foi lá que a ambientalista e exploradora do National Geographic Paola Nogales Ascarrunz encontrou o animal pela primeira vez, durante um trabalho voluntário. Ascarrunz liderou o estudo.
Três pesquisadores brasileiros participaram do grupo. São eles:
- Eduardo Eizirik, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul;
- Caroline Charão Sartor, pesquisadora da Universidade de Oxford;
- Larissa Rosa de Oliveira, professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.
Eizirik destacou à Reuters a importância da descoberta. Segundo ele, mostrar que ainda há novas espécies a encontrar mesmo em grupos tão conhecidos como os gatos transmite uma mensagem relevante.
Ele alertou, ainda, que muitas espécies desconhecidas correm risco de desaparecer antes de serem encontradas. O Tilcayo é levemente menor do que um gato doméstico.
Ele tem cerca de 46 centímetros de comprimento e pesa aproximadamente 1,5 kg. Sua pelagem é marrom clara, com rosetas de formato irregular, que são manchas de exterior escuro e interior mais claro.
Até agora, apenas dois indivíduos da espécie são conhecidos.
Um deles, um macho de dez anos, vive no santuário boliviano. Ascarrunz instalou armadilhas fotográficas na floresta para ampliar o conhecimento sobre o comportamento do animal.
Por ora, os pesquisadores acreditam que ele seja noturno e se alimente de roedores.
A diferenciação da espécie só foi possível com análises genéticas. Os gatos selvagens da América do Sul são espécies crípticas, ou seja, impossíveis de distinguir apenas pela aparência física.
Por isso, a equipe analisou amostras de DNA de 38 felinos de toda a América do Sul.
Com os resultados, os cientistas concluíram que o que antes se acreditava ser uma única espécie, o Leopardus trigrinus, era, na verdade, um conjunto de cinco espécies distintas:
- Leopardus tigrinus;
- Leopardus guttulus;
- Leopardus emiliae;
- Leopardus pardinoides;
- Leopardus tilcayo.
Além disso, o grupo identificou uma nova subespécie peruana do tigrinus, o Leopardus tigrinus antisuyo. As análises também indicaram que o Tilcayo se separou dos demais felinos há cerca de 1,4 milhão de anos.
Por fim, a situação dessas espécies é preocupante. A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza classifica os gatos selvagens latino-americanos como vulneráveis, com populações em queda.
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A descoberta, portanto, reforça a urgência de proteger habitats ainda pouco explorados pela ciência.
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