Uma descoberta arqueológica na antiga cidade de Sagalassos, na atual Turquia, revelou detalhes incomuns de um ritual funerário realizado durante o século II d.C. Arqueólogos encontraram dezenas de objetos de ferro deliberadamente deformados em uma sepultura de cremação, além de tijolos e uma espessa camada de cal utilizada para selar o local.
O achado, analisado por pesquisadores e publicado na revista Antiquity, chama atenção por apresentar características consideradas não normativas para os costumes funerários romanos. Entre os artefatos identificados estão 25 pregos com as cabeças arrancadas e 16 peças que foram dobradas ou torcidas de maneira intencional.
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Pregos foram deformados durante o ritual
Segundo os pesquisadores, a alteração dos objetos não parece ter ocorrido por acaso. Mais de 20 peças de ferro apresentavam hastes dobradas, algumas em ângulos próximos a 90 graus, enquanto outras tiveram suas cabeças removidas à força.
A disposição dos artefatos ao redor da pira funerária sugere que eles faziam parte de um ritual destinado a controlar o destino do morto após a cremação. A hipótese é de que os objetos deformados tenham sido utilizados como uma espécie de barreira simbólica para impedir que a alma do falecido deixasse o local.
O procedimento teria sido acompanhado por outras medidas de proteção. Depois da cremação, a urna foi cuidadosamente fechada com 24 tijolos maciços e coberta por uma camada espessa de cal, criando uma estrutura de isolamento ao redor das cinzas.
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Ritual revela crenças sobre a morte
Para os especialistas, a combinação entre os objetos de ferro mutilados e o fechamento cuidadoso da sepultura indica uma preocupação incomum com o que poderia acontecer após a morte.
Uma das interpretações é que os artefatos tenham sido utilizados para manter o falecido confinado à sepultura e evitar que seu espírito retornasse ao mundo dos vivos. Ao mesmo tempo, o ritual poderia ter sido pensado para proteger a comunidade contra possíveis manifestações sobrenaturais associadas ao morto.
A prática também mostra que as crenças funerárias do período eram mais diversas do que os costumes considerados tradicionais no Império Romano. O enterro de Sagalassos preservou elementos que permitem aos arqueólogos estudar formas menos convencionais de lidar com a morte.
Descoberta ajuda a entender a sociedade romana
Sagalassos foi uma importante cidade da Antiguidade localizada na região da Anatólia, território que atualmente faz parte da Turquia. A preservação excepcional da sepultura oferece aos pesquisadores uma oportunidade rara de investigar práticas funerárias pouco documentadas.
Além dos pregos deformados, a presença de tijolos e da camada de cal demonstra que o ritual envolvia diferentes mecanismos de proteção, combinando elementos físicos e simbólicos.
A descoberta, portanto, amplia o conhecimento sobre as crenças e os medos que cercavam a morte na sociedade romana. Os vestígios encontrados na tumba mostram como, há cerca de 1.800 anos, algumas comunidades recorriam a práticas incomuns para garantir que os mortos permanecessem separados do mundo dos vivos.
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