Entre jantar tarde ou dormir com fome, nenhuma das duas opções é considerada ideal por especialistas. No entanto, fazer uma refeição pesada pouco antes de ir para a cama pode trazer mais impactos negativos ao organismo, principalmente para a digestão, a qualidade do sono e o metabolismo.
Segundo os especialistas Almino Ramos, José Afonso Sallet e Ricardo Alphonse Blanc ouvidos pelo portal Metrópoles, o problema não está apenas no horário da refeição, mas também na quantidade e no tipo de alimento consumido. Uma refeição muito pesada, rica em gordura e feita pouco antes de deitar pode favorecer refluxo, azia, gases e dificuldades para dormir.
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SONO TAMBÉM PODE SER AFETADO

Para José Afonso Sallet, jantar muito próximo do horário de dormir pode interferir diretamente na qualidade do descanso. "Jantares pesados à noite podem afetar o sono, causar refluxo e provocar um descanso fragmentado", explica o especialista.
Além do desconforto imediato, manter esse comportamento de forma frequente pode trazer consequências para a saúde. Segundo Sallet, uma rotina de refeições pesadas à noite pode contribuir para ganho de peso, alterações metabólicas e hormonais, problemas gastrointestinais, distúrbios do sono e até doenças cardiovasculares.
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A situação tende a ser ainda pior quando a pessoa se deita logo depois de comer. Com o estômago cheio, a digestão continua durante o período em que o organismo deveria estar entrando em repouso.
O QUE ACONTECE QUANDO A PESSOA COME E VAI DIRETO PARA A CAMA?
O especialista Almino Ramos chama atenção justamente para a relação entre a alimentação noturna e o funcionamento do organismo. "Deitar com o estômago cheio sobrecarrega o sistema gástrico e digestivo", explica Ramos.
A posição horizontal também pode facilitar o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago, favorecendo episódios de refluxo e azia. Dependendo da composição da refeição, também podem ocorrer gases e sensação de estufamento. Outro ponto destacado pelo especialista é que comer à noite pode interferir nos ciclos hormonais do organismo.
Segundo Almino Ramos, a alimentação noturna pode alterar a produção de cortisol e hormônio do crescimento (GH), substâncias relacionadas a diferentes funções metabólicas e ao funcionamento do organismo durante o período de sono.
REFEIÇÕES PESADAS SÃO AS MAIS PROBLEMÁTICAS

Não é apenas o relógio que determina se uma refeição noturna será prejudicial. O que vai para o prato também importa.
Refeições muito gordurosas ou volumosas tendem a exigir mais do sistema digestivo e podem aumentar a possibilidade de má digestão, gases, refluxo e azia. O consumo frequente desse tipo de alimento à noite também está associado a alterações nos níveis de lipídios, colesterol e triglicerídeos.
Por isso, para quem precisa comer mais tarde, a alternativa menos prejudicial tende a ser uma refeição mais leve e em menor quantidade, evitando alimentos muito gordurosos e o hábito de se deitar imediatamente depois.
E DORMIR COM FOME?
Passar a noite sem comer também não é uma solução considerada saudável para quem está com fome.
Dormir com fome pode provocar desconforto, dificultar o início ou a manutenção do sono e, em algumas pessoas, aumentar a vontade de comer no dia seguinte. O resultado pode ser justamente o oposto do esperado: depois de passar horas sem alimentação, a pessoa pode acabar exagerando na quantidade de comida posteriormente.
Por isso, os especialistas defendem equilíbrio. Em vez de escolher entre uma grande refeição pouco antes de dormir e ir para a cama com fome, o ideal é organizar os horários das refeições ao longo do dia.
QUAL A MELHOR ESCOLHA?
Embora dormir com fome também possa causar problemas, um jantar pesado e muito próximo da hora de dormir tende a ser a opção mais prejudicial, especialmente quando isso se transforma em hábito.
A recomendação é evitar grandes refeições no período noturno e, quando não for possível jantar mais cedo, optar por uma alimentação mais leve. Também é importante deixar um intervalo entre a refeição e o momento de se deitar.
Como resume José Afonso Sallet, o impacto não se limita à digestão: o hábito de jantar muito tarde e de forma inadequada pode repercutir no peso, no metabolismo, no sono e na saúde cardiovascular.
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