Um estudo internacional que analisou dados de mais de 214 mil idosos em 14 países e regiões, incluindo o Brasil, concluiu que os principais fatores de risco para a demência variam de acordo com as características de cada população. Os resultados indicam que as estratégias de prevenção precisam ser adaptadas à realidade de cada país para serem mais eficazes.
A pesquisa foi apresentada durante a Conferência Internacional da Associação de Alzheimer de 2026, realizada em Londres, e também publicada na revista científica The Lancet Healthy Longevity. Segundo os pesquisadores, compreender os fatores de risco específicos de cada região pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficientes e ações direcionadas à redução dos casos da doença.
De acordo com os pesquisadores, os fatores de risco modificáveis associados à demência apresentam diferenças significativas entre as populações. Entre os mais relevantes estão a baixa escolaridade, a hipertensão arterial e o tabagismo, cuja incidência varia de um país para outro.
No Brasil, esses três fatores figuram entre os mais frequentes na população idosa, o que reforça a necessidade de estratégias de prevenção adaptadas à realidade nacional. Para os especialistas, ações padronizadas em escala global tendem a ter resultados diferentes conforme as características sociais, econômicas e de saúde de cada região.
O que estudiosos analisaram
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, que reuniram informações de pesquisas realizadas em 14 países e regiões, entre eles Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Coreia do Sul, México, China, Malásia e Índia. Para garantir resultados comparáveis, a equipe adotou critérios e definições padronizados na análise dos dados.
Com essa metodologia, os cientistas conseguiram identificar diferenças importantes nos fatores de risco para a demência entre as populações avaliadas, reforçando a necessidade de desenvolver estratégias de prevenção adaptadas à realidade de cada país.
Foram avaliados 12 fatores de risco já associados à demência: baixa escolaridade, perda auditiva, colesterol LDL elevado, depressão, inatividade física, diabtes, tabagismo, hipertensão, obesidade, consumo excessivo de álcool, isolamento social e perda de visão.
Como está o Brasil em comparação com o mundo
Os dados revelaram que cada país tem um perfil próprio de risco, sobretudo por conta de fatores sociais, econômicos e de estilo de vida. Confira alguns exemplos:
- A baixa escolaridade atinge 85,6% dos idosos chineses, mas apenas 12% dos idosos nos Estados Unidos — no Brasil, o índice é de 76,4%;
- A obesidade é mais comum em países de alta renda: quase metade da população idosa dos EUA (44,9%) convive com a condição, seguida pelo México (35,7%); Já em países asiáticos, os números são bem menores, como China (14,5%), Índia (13,3%) e Coreia do Sul (6,2%);
- A hipertensão é a mais prevalente nos dois países latino-americanos analisados: 53,1% no México e 49% no Brasil, contra 40,2% na China e 43,4% na Malásia.
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Ranking dos fatores de risco entre idosos brasileiros
De acordo com o levantamento, a prevalência de cada fator de risco no Brasil é a seguinte:
- Baixa escolaridade — 76,4%
- Inatividade física — 52,3%
- Perda de visão — 49,6%
- Hipertensão — 49%
- Tabagismo — 35,7%
- Obesidade — 30,7%
- Perda auditiva — 26,4%
- Depressão — 26%
- Colesterol LDL alto — 23%
- Isolamento social — 21,2%
- Diabetes — 17,7%
- Consumo de álcool — 4,1%
Os que os dados mudam na preveção
Os pesquisadores também observaram que vários fatores de risco coexistindo aumentam ainda mais a probabilidade de desenvolver demência. Isso significa que a presença simultânea de condições como hipertensão, tabagismo e baixa escolaridade potencializa o risco da doença, produzindo um efeito combinado mais significativo do que quando esses fatores ocorrem de forma isolada.
Segundo os autores, os resultados demonstram que as políticas de prevenção da demência devem considerar as características específicas de cada país. Ao mesmo tempo, o estudo identifica fatores comuns entre diferentes populações, que podem servir de base para o desenvolvimento de estratégias globais mais eficazes no combate à doença.
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