A menopausa costuma trazer sintomas que afetam a qualidade de vida de muitas mulheres, e a terapia de reposição hormonal (TRH) é uma das alternativas mais utilizadas para aliviar esse período. No entanto, especialistas alertam que o tratamento deve ser indicado de forma individualizada, principalmente para pacientes com risco elevado de doenças cardiovasculares.
O assunto foi discutido durante um programa da CNN, que reuniu o cardiologista Roberto Kalil, a cardiologista Salete Nacif e o ginecologista José Maria Soares Jr. Segundo os médicos, a avaliação do histórico clínico é essencial para definir se a reposição hormonal é segura para cada paciente.
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De acordo com os especialistas, mulheres com baixo risco cardiovascular, aquelas que nunca sofreram infarto, acidente vascular cerebral (AVC) ou outros eventos cardíacos importantes, em geral, podem realizar a terapia hormonal sem maiores restrições.
Já entre pacientes com risco cardiovascular elevado, a principal preocupação é a presença de aterosclerose, doença caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias. Nesses casos, a indicação da terapia deve ser analisada cuidadosamente.
Segundo a cardiologista Salete Nacif, o estrógeno pode ter efeitos diferentes conforme o estado das artérias, podendo ser neutro ou até prejudicial em determinadas situações. Por isso, a decisão deve considerar o quadro clínico de cada mulher.
Avaliação individual é fundamental
Os especialistas explicaram que mulheres com fatores de risco, como hipertensão, diabetes ou colesterol alto, mas que ainda não sofreram infarto ou AVC, também podem ser candidatas à terapia hormonal. A indicação, no entanto, costuma ser mais favorável quando a paciente está dentro da chamada "janela de oportunidade", geralmente antes dos 60 anos.
Salete Nacif destacou que não existe uma regra única para todos os casos e que a avaliação médica individualizada continua sendo o principal critério para definir o tratamento.
Na mesma linha, o ginecologista José Maria Soares Jr. ressaltou que a reposição hormonal não é necessariamente contraindicada para mulheres com maior risco cardiovascular, mas exige acompanhamento mais rigoroso e uma indicação personalizada.
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Estudo antigo gerou receio sobre a terapia
Durante a discussão, os especialistas também explicaram por que a terapia hormonal ainda desperta dúvidas entre pacientes e profissionais.
Segundo eles, grande parte desse receio surgiu após a divulgação do estudo Women's Health Initiative (WHI), publicado no início dos anos 2000, que apontou aumento do risco cardiovascular associado ao uso da reposição hormonal.
No entanto, José Maria Soares Jr. afirmou que a pesquisa foi realizada predominantemente com mulheres de idade mais avançada, cenário diferente daquele em que a terapia costuma ser indicada atualmente. Desde então, novos estudos levaram a medicina a abandonar a contraindicação generalizada e adotar uma abordagem baseada na avaliação individual de cada paciente.
Exames ajudam a medir o risco cardiovascular
Para definir a segurança da terapia hormonal, os médicos destacaram que alguns exames podem auxiliar na estratificação do risco cardiovascular.
Entre eles estão o escore de cálcio das artérias coronárias e o ultrassom das carótidas, capazes de identificar a presença de placas de gordura e estimar a probabilidade de doenças cardíacas.
Além desses exames, Salete Nacif citou uma pesquisa recente que utilizou inteligência artificial para analisar mamografias de rotina. O estudo mostrou que a identificação de calcificações nas artérias mamárias pode servir como um indicativo de maior risco cardiovascular.
Segundo a cardiologista, como a mamografia já faz parte da rotina de muitas mulheres, o exame pode se tornar uma ferramenta adicional para alertar sobre a necessidade de uma investigação mais detalhada da saúde do coração.
José Maria Soares Jr. reforçou que a presença de cálcio nas artérias mamárias deve ser encarada como um sinal para ampliar a avaliação cardiovascular antes da definição do tratamento hormonal.
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