Em cidades onde o poder público acena com oportunidades, a esperança costuma chegar antes do dinheiro. O discurso do incentivo ao empreendedorismo, repetido em salas de aula improvisadas e cerimônias de certificação, alimenta sonhos que nascem pequenos, mas carregam o peso de uma vida inteira. Quando a promessa não se concretiza, porém, o que sobra é o silêncio das portas fechadas e a inquietação de quem apostou no futuro.
Foi nesse cenário que um grupo de confeiteiras decidiu ocupar, desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (19), a frente da Prefeitura de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém (RMB). Elas cobram o pagamento de um auxílio financeiro de R$ 2 mil prometido pelo prefeito Daniel Santos após a conclusão de um curso de confeitaria promovido pelo município, valor que, segundo as participantes, nunca chegou para a maioria das inscritas.
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A qualificação foi oferecida no ano passado como parte de uma iniciativa voltada a mulheres interessadas em empreender no setor alimentício. Além do certificado, o programa previa a liberação da quantia como incentivo inicial para compra de materiais e estruturação dos pequenos negócios.
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CALOTE E FALTA DE TRANSPARÊNCIA
Segundo uma das confeiteiras identificada como Vanessa, que atua como representante do grupo, a realidade ficou distante do compromisso firmado. Ela afirma que a maioria das mulheres que fizeram um curso jamais receberam o dinheiro e denuncia falta de transparência na divulgação dos nomes das beneficiadas.
"Houve uma reunião em que prometeram pagar 15 pessoas por dia, mas nós nem sabemos quem são essas pessoas e nem de que turmas são. Saiu uma lista recente com nomes que não reconhecemos", relatou.
SEM RESPOSTAS DA PREFEITURA
As confeiteiras afirmam que aguardam o pagamento desde agosto de 2025 e que, desde então, buscam respostas sem sucesso. O grupo diz que tenta negociar diretamente com a gestão municipal e chegou a propor que o pagamento fosse feito em maior escala diária, para encerrar a pendência mais rapidamente.
"Estamos vindo aqui desde a semana passada. Queríamos que pagassem 100 mulheres por dia, mas ninguém resolve. Só fomos atendidas por uma secretária. As autoridades que podem decidir não falam conosco", disse Vanessa.
PROMESSA APAGADA NAS REDES SOCIAIS
As manifestantes também direcionam críticas ao prefeito Daniel Santos, a quem atribuem a responsabilidade pelo cumprimento da promessa. Segundo as confeiteiras, o próprio gestor teria anunciado nas redes sociais o pagamento do incentivo financeiro como parte do compromisso com as alunas do curso. No entanto, elas afirmam que a postagem foi posteriormente apagada pela equipe do prefeito, o que aumentou a sensação de abandono entre as beneficiárias.
Durante o protesto, a única resposta oficial ocorreu por meio de um representante da assessoria de comunicação, que conversou com a equipe da RBATV e informou que uma nota oficial seria divulgada posteriormente. Até o momento desta publicação, as confeiteiras seguem mobilizadas, aguardando uma solução e, principalmente, o pagamento que consideram um direito.
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