O furacão Polo atingiu a categoria máxima três vezes durante seu ciclo de vida no Oceano Pacífico Leste, em um comportamento considerado extremamente raro pelos meteorologistas. Próximo à costa do México, o sistema chegou a registrar ventos sustentados de 290 km/h e voltou à intensidade mais elevada depois de passar por períodos de enfraquecimento e reorganização.
A terceira intensificação levou novamente os ventos máximos sustentados do Polo para aproximadamente 290 km/h, mesma velocidade registrada em uma fase anterior. Segundo o meteorologista Colin McCarthy, citado pela MetSul, o fenômeno é o primeiro furacão conhecido no Pacífico Leste a alcançar a categoria 5 em três momentos distintos.
CONTEÚDO RELACIONADO
- Avalanche mata seis pessoas e deixa outras desaparecidas no Nepal
- Placa tectônica está se rompendo no fundo do Oceano Pacífico e pode gerar terremotos
- VÍDEO: supercélula é filmada por caçadores de tempestades no RS
UM CICLO RARO DE INTENSIFICAÇÃO
O que diferencia o Polo como evento climático extremo não é apenas a velocidade dos ventos, mas a capacidade de recuperar sua força depois de perder intensidade. O furacão alcançou a categoria máxima, enfraqueceu e posteriormente reorganizou sua estrutura. O processo se repetiu até que o sistema voltasse novamente ao nível 5 da escala Saffir-Simpson.
Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
Esse tipo de comportamento é considerado excepcional. No Atlântico, existem registros de quatro furacões que também alcançaram a categoria 5 em três momentos distintos: Allen, em 1980; Isabel, em 2003; Ivan, em 2004; e Milton, em 2024. No Pacífico Leste, porém, o Polo passou a ser apontado como o primeiro caso com três episódios separados de categoria 5.
INTENSIFICAÇÃO FORA DO COMUM
O comportamento do Polo começou a chamar atenção ainda antes de alcançar sua força máxima. Em 42 horas, os ventos aumentaram de maneira acelerada, levando o sistema de uma tempestade relativamente comum a um furacão extremamente poderoso.
A intensidade máxima estimada chegou a 290 km/h em 25 de setembro, segundo atualização do NHC. Naquele momento, o centro da tempestade estava no Pacífico, a centenas de quilômetros da costa mexicana.
O episódio também foi comparado ao furacão Patricia, de 2015, outro sistema que apresentou uma intensificação excepcional no Pacífico Leste. A diferença é que Polo conseguiu alcançar novamente níveis muito elevados de intensidade depois de oscilações em sua estrutura.
OLHO BEM DEFINDO E NUVENS A -85 °C

A estrutura interna do Polo ajuda a explicar sua capacidade de produzir ventos tão intensos. O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) identificou um olho bem definido, cercado por um anel de convecção profunda. Imagens de satélite mostraram um sistema organizado e simétrico, com grandes áreas de convecção ao redor do centro.
Outro dado impressionante está nas temperaturas registradas no topo das nuvens, que chegaram a aproximadamente -80 °C a -85 °C.
No centro do sistema, o olho apresenta condições muito diferentes das encontradas na parede de nuvens. É justamente nessa região ao redor do olho que se concentra parte dos ventos mais violentos do furacão.
POR QUE O FURACÃO GANHOU TANTA FORÇA?
A intensificação do Polo ocorreu em um ambiente com uma combinação de fatores favoráveis. O primeiro deles foi a presença de águas muito quentes no Pacífico. O oceano fornece energia para os sistemas tropicais por meio da evaporação e da transferência de calor para a atmosfera.
A segunda condição foi a grande disponibilidade de umidade atmosférica, que favoreceu a formação de nuvens profundas e tempestades ao redor do centro do furacão.
O terceiro fator foi o comportamento do cisalhamento dos ventos, permitindo que a estrutura vertical do ciclone permanecesse organizada e facilitando seu fortalecimento.
EL NIÑO APARECE ENTRE OS FATORES
As condições associadas ao El Niño também estão entre os elementos apontados para explicar o ambiente favorável ao desenvolvimento do Polo.
O fenômeno altera padrões de circulação atmosférica e a distribuição de calor no oceano, podendo favorecer determinadas áreas de formação e intensificação de ciclones tropicais.
A MetSul destaca que o Polo se desenvolveu em um cenário de águas excepcionalmente quentes, alta disponibilidade de umidade e condições atmosféricas favoráveis.
MÉXICO PERMANCE EM ALERTA
Mesmo com o centro do Polo permanecendo sobre o oceano, sua proximidade com o litoral mexicano provocou preocupação entre as autoridades.
O sistema avançou próximo à costa do Pacífico, com previsão de chuvas intensas, inundações e deslizamentos de terra. Os acumulados poderiam variar de 10 a 200 milímetros, com volumes maiores em pontos isolados.
Estados como Guerrero e Michoacán estiveram entre as áreas sob maior atenção. Também havia previsão de impactos associados à chuva em outras áreas do litoral, enquanto a trajetória indicava deslocamento próximo à costa e posterior mudança de direção.
O NHC já havia alertado que, apesar de o núcleo permanecer no mar, a proximidade do sistema poderia provocar impactos relacionados a vento, chuva e ressaca.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.








Comentar