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DERMATOSE RARA

Menino desenvolve síndrome da pele tostada por usar notebook

Criança passava cerca de oito horas por dia com computador sobre o abdômen; médicos alertam para riscos do calor prolongado na pele

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Imagem ilustrativa da notícia Menino desenvolve síndrome da pele tostada por usar notebook camera O caso chamou atenção para o eritema ab igne, conhecido popularmente como "síndrome da pele tostada". | Reprodução /BMJ Journals

Um menino em idade pré-escolar desenvolveu uma condição rara de pele após passar horas por dia usando um notebook diretamente sobre o abdômen. O caso foi atendido por médicos do University Hospitals of Leicester NHS Trust, no Reino Unido, e publicado no BMJ Journals em julho deste ano.

A criança, que recebe educação domiciliar, costumava realizar as atividades escolares usando o computador apoiado sobre a barriga. Segundo os médicos, o aparelho permanecia próximo à pele por cerca de oito horas diariamente, principalmente quando estava conectado à tomada.

O caso chamou atenção para o eritema ab igne, conhecido popularmente como "síndrome da pele tostada". A condição pode surgir após exposição prolongada e repetida ao calor, mesmo quando a temperatura não é suficiente para provocar uma queimadura imediata.

Como surge a síndrome da pele tostada?

O eritema ab igne provoca alterações nos vasos sanguíneos e na pele após exposição contínua ao calor. Uma das características da condição é o surgimento de manchas avermelhadas ou mais escuras que formam um desenho semelhante a uma rede.

Historicamente, o problema era mais comum em pessoas que passavam longos períodos próximas a lareiras, aquecedores ou utilizando bolsas de água quente. Com o aumento do uso de dispositivos eletrônicos, porém, casos relacionados ao calor de notebooks e outros aparelhos passaram a ser identificados também entre crianças e adolescentes.

No caso do menino, o calor do computador provocou uma lesão que inicialmente não causava dor ou bolhas. Por isso, a criança não percebeu que a pele estava sendo afetada.

Lesão piorou após primeira avaliação

Na primeira avaliação médica, a equipe chegou a considerar a possibilidade de uma lesão relacionada ao fígado. Exames de sangue e tomografia, porém, não apontaram alterações que explicassem o quadro.

O menino recebeu alta, mas retornou ao hospital cerca de duas semanas depois, quando a lesão havia piorado. A alteração de pele tinha se espalhado pelo abdômen e apresentava descamação.

Diante da evolução do quadro, os médicos investigaram mais detalhadamente os hábitos da criança. Foi então que descobriram o uso prolongado do notebook diretamente sobre a barriga.

Depois que os pais foram orientados sobre a causa da lesão, o contato prolongado da pele com o aparelho foi interrompido. Em uma consulta posterior realizada por telefone, a família informou que as marcas haviam diminuído gradualmente até desaparecer.

Uso prolongado pode deixar marcas

Segundo especialistas em dermatologia, casos leves de eritema ab igne costumam desaparecer ao longo de algumas semanas depois que a exposição ao calor é interrompida. Em situações mais graves, entretanto, as alterações podem se tornar permanentes.

Os médicos também alertam que exposições prolongadas e repetidas ao calor podem, em casos raros, estar associadas ao desenvolvimento de alterações malignas na pele. Entre os tipos de câncer relacionados à condição estão o carcinoma de células escamosas e o carcinoma de células de Merkel, este último considerado mais agressivo.

Essas complicações são raras e podem levar muitos anos para surgir. Ainda assim, o alerta reforça a importância de evitar o contato prolongado de aparelhos que produzem calor diretamente com a pele.

Como evitar o problema?

A principal recomendação é não utilizar notebooks, tablets ou outros aparelhos que aqueçam diretamente sobre o corpo por períodos prolongados. O ideal é manter o equipamento sobre uma superfície adequada, como uma mesa ou suporte.

O caso também reforça a importância de procurar avaliação médica diante do surgimento de manchas persistentes, especialmente quando apresentam formato semelhante a uma rede e não desaparecem.

Para os autores do estudo, reconhecer o eritema ab igne precocemente pode ajudar a evitar diagnósticos equivocados e exames desnecessários, principalmente em crianças que apresentam lesões desse tipo e têm contato frequente com dispositivos eletrônicos.

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