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REFORMA TRIBUTÁRIA

Carros e eletrodomésticos podem ficar mais baratos em 2027? Entenda!

Após o governo anunciar que pretende zerar o Imposto sobre Produtos Industrializados, a dúvida que prevalece é acerca da redução nos preços.

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Imagem ilustrativa da notícia Carros e eletrodomésticos podem ficar mais baratos em 2027? Entenda! camera Carros e outros bens de maior valor costumam ser adquiridos a crédito, e as condições de financiamento podem influenciar a decisão de compra mesmo quando há alguma vantagem tributária. | Foto: Divulgação

A chegada de uma nova etapa da Reforma Tributária em 2027 deve mudar a forma como diversos produtos são tributados no Brasil. Entre as alterações está a previsão de alíquota zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a maior parte dos produtos. Mas isso não significa, necessariamente, que carros, eletrodomésticos e eletrônicos ficarão mais baratos para o consumidor.

A diferença está no motivo da mudança. Em outros momentos, o governo reduziu ou zerou temporariamente o IPI justamente para estimular o consumo. Agora, a alteração faz parte da transição para um novo sistema de tributação sobre o consumo.

IPI será substituído por novos tributos

A partir de janeiro de 2027, começa a fase operacional da Reforma Tributária do consumo. O novo modelo prevê a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por dois impostos principais: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Por isso, o fim do IPI não deve ser interpretado automaticamente como uma redução da carga tributária. Segundo especialistas, a reforma foi estruturada para manter a arrecadação em níveis semelhantes, embora ainda existam dúvidas sobre as alíquotas definitivas dos novos impostos.

Além disso, alguns produtos poderão ser alcançados pelo Imposto Seletivo, criado para incidir sobre bens considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. No caso dos automóveis, a tributação também continuará existindo dentro do novo sistema.

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Por que não há garantia de preços menores?

Mesmo com o IPI zerado para a maior parte dos produtos, ainda não é possível calcular exatamente o impacto da reforma sobre os preços. Isso ocorre porque os valores finais também dependem de fatores como custos de produção, logística, matérias-primas, concorrência e condições de crédito.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), por exemplo, afirma que ainda não consegue estimar completamente os efeitos da mudança sobre o setor automotivo, já que as alíquotas definitivas da CBS, do IBS e do Imposto Seletivo ainda não foram divulgadas.

Outro fator que pesa é o financiamento. Carros e outros bens de maior valor costumam ser adquiridos a crédito, e as condições de financiamento podem influenciar a decisão de compra mesmo quando há alguma vantagem tributária.

Concorrência também influencia os preços

Os impostos são apenas uma parte da formação do preço de um produto. No setor automotivo, por exemplo, o aumento da concorrência entre fabricantes também pode pressionar os valores para baixo.

Um levantamento da Bright Consulting apontou que o preço efetivamente pago pelos consumidores por carros novos caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil, em média. Segundo a análise citada na reportagem, a maior competição provocada pela expansão das fabricantes chinesas teve papel importante nesse movimento.

Além disso, fatores como petróleo, matérias-primas, frete e energia podem aumentar ou reduzir os custos da indústria, independentemente das mudanças nos impostos.

Então os produtos ficarão mais baratos?

Por enquanto, não há garantia de que carros, eletrodomésticos e eletrônicos ficarão mais baratos em 2027 apenas por causa do IPI zero.

O imposto terá alíquota zerada para a maior parte dos produtos, mas será substituído gradualmente por outros tributos. Por isso, o preço final dependerá das alíquotas definidas para CBS, IBS e Imposto Seletivo, além das condições do mercado e dos custos enfrentados pelas empresas.

A expectativa é que seja possível ter uma visão mais precisa dos efeitos sobre os preços à medida que as regras da Reforma Tributária forem regulamentadas e as novas alíquotas forem definidas.

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