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SAÚDE

Suspeita de Ebola é investigado por equipes médicas no Rio Grande do Sul

Um homem que teria vindo de Uganda, apresentou sintomas da doença; veja o que se sabe até agora.

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Imagem ilustrativa da notícia Suspeita de Ebola é investigado por equipes médicas no Rio Grande do Sul camera O paciente procurou atendimento em uma unidade de saúde de Novo Hamburgo na última quarta-feira (10). | (Tânia Rego/ Agência Brasil)

Equipes médicas do Rio Grande do Sul investigam um caso suspeito de ebola envolvendo um homem de 64 anos que retornou recentemente de Uganda, país da África Oriental que enfrenta um surto da doença. O paciente procurou atendimento em uma unidade de saúde de Novo Hamburgo na última quarta-feira (10), apresentando sintomas compatíveis com a infecção viral.

Desde a identificação do caso, equipes de vigilância epidemiológica adotaram protocolos de segurança e monitoramento previstos para situações de risco. A Prefeitura de Novo Hamburgo informou que todas as medidas de assistência, biossegurança e vigilância foram implementadas imediatamente, com acionamento do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS-RS).

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) informou que o caso foi comunicado ao Ministério da Saúde e que as ações estão sendo conduzidas em conjunto com autoridades municipais e federais.

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Malária foi diagnosticada, mas ebola ainda não foi descartado

Os exames iniciais apontaram resultado positivo para malária causada pelo parasita Plasmodium falciparum. Apesar disso, especialistas ressaltam que a confirmação da doença não elimina a possibilidade de uma eventual coinfecção por ebola.

O descarte definitivo dependerá da análise de amostras encaminhadas à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), laboratório nacional de referência para esse tipo de investigação.

Segundo profissionais da área, os sintomas da malária podem se assemelhar aos do ebola, especialmente nos estágios iniciais, o que justifica a manutenção dos protocolos de segurança.

Paciente será transferido para hospital de referência

Seguindo orientações clínicas específicas, o paciente será transferido para o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, referência estadual e nacional para atendimento de casos suspeitos de ebola.

A diretora de Atenção à Saúde do GHC, Rosana Nothe, explicou que a unidade está preparada para o isolamento e acompanhamento dos pacientes, mas que exames laboratoriais de alta complexidade e tratamentos especializados dependem de centros com infraestrutura de biossegurança máxima, como o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e o Instituto Evandro Chagas, no Rio de Janeiro.

Desde a notificação do caso, o hospital organizou uma rota exclusiva para a chegada do paciente e estabeleceu fluxos específicos para atendimento de eventuais novos casos suspeitos.

"Ele tem um diagnóstico de malária confirmado, mas isso não impede que haja uma coinfecção também pelo ebola. A ideia é manter todas as unidades preparadas para identificar rapidamente qualquer suspeita de febre hemorrágica, realizar o isolamento e garantir a proteção dos profissionais de saúde", afirmou Nothe.

Pessoas que tiveram contato com o paciente também serão monitoradas pelas autoridades sanitárias.

Especialistas descartam risco imediato de disseminação

Apesar da mobilização dos órgãos de saúde, especialistas afirmam que não há motivo para alarme neste momento.

O virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale, destacou que o procedimento adotado pelas autoridades segue protocolos de precaução e não indica, necessariamente, a introdução do vírus no país.

Segundo ele, os surtos registrados atualmente em Uganda apresentam características diferentes das grandes epidemias observadas em outras regiões africanas, com transmissão mais restrita, principalmente em ambientes hospitalares.

"O que está sendo feito é uma precaução de nível elevado, como deve ocorrer nesses casos. Não há indicação de que este seja o início da circulação do vírus no Brasil", afirmou.

O infectologista Alessandro Pasqualotto, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia e chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Porto Alegre, também minimizou o risco de disseminação.

"Apesar da alta letalidade, o ebola é uma doença mais fácil de ser contida do que muitos vírus respiratórios. Hoje, eu me preocuparia muito mais com a influenza, que está em circulação e causa um número significativo de mortes, especialmente entre idosos não vacinados", declarou.

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Cepa em circulação ainda não possui vacina

A atual preocupação internacional está relacionada à cepa Bundibugyo do vírus ebola, responsável pelo surto registrado em Uganda e na República Democrática do Congo.

Diferentemente da variante Ebola Zaire, para a qual existem vacinas e tratamentos específicos, ainda não há imunizante aprovado para a cepa Bundibugyo. O tratamento consiste em medidas de suporte clínico, como hidratação intensiva e controle de complicações hemorrágicas.

No fim de maio, o diretor dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) anunciou que uma vacina contra essa variante poderá estar disponível até o final deste ano.

Outros casos suspeitos são investigados no Brasil

Além do caso registrado no Rio Grande do Sul, outro paciente está sob investigação em São Paulo. Trata-se de uma brasileira de 31 anos que esteve recentemente na província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo.

Ela foi encaminhada ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, onde permanece estável. Um teste rápido para malária apresentou resultado negativo, mas ainda não houve confirmação laboratorial para ebola.

O primeiro caso suspeito investigado no estado, envolvendo um homem de 37 anos vindo da República Democrática do Congo, já foi descartado.

No Rio de Janeiro, um viajante belga que retornou de Uganda também teve resultado negativo para ebola após exames realizados pelo Instituto Oswaldo Cruz. O diagnóstico final foi de malária.

Surto avança na República Democrática do Congo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira (12) para a expansão do surto de ebola no leste da República Democrática do Congo.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde congolês apontam 676 casos confirmados da doença e 136 mortes relacionadas à cepa Bundibugyo. Segundo a OMS, o número de infecções continua crescendo e já alcança novas áreas geográficas, aumentando a preocupação das autoridades sanitárias internacionais.

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