Um SUV de luxo norte-americano que oficialmente não existe à venda no Brasil foi encontrado na garagem de um dos nomes mais conhecidos do País. A apreensão do Cadillac Escalade de Deolane Bezerra levanta uma questão legítima: como esse carro chegou até aqui?
Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. No total, a polícia apreendeu 39 veículos de alto valor. Entre eles, estava um Cadillac Escalade, um Mercedes-Benz G63, um Range Rover e um Jeep Commander, todos na garagem de Deolane.
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Afinal, um detalhe chamou a atenção do público entusiasta do mercado automobilístico: a Cadillac não vende carros no Brasil.
A marca confirmou que só chegará ao país no último trimestre de 2026, e, ainda assim, apenas com modelos elétricos. Por isso, o Escalade na garagem da influenciadora só poderia chegar ao País por meio de importação independente.
Segundo especialistas em importação, o preço para trazer o veículo ao Brasil parte de R$ 2,1 milhões. Não está claro se Deolane comprou o carro diretamente nos Estados Unidos ou se o adquiriu como seminovo já no território brasileiro.
Conheça o Cadillac Escalade
Atualmente, o Escalade é o modelo mais emblemático da Cadillac.
Ele é equipado com motor V8 de 6,2 litros, com 691 cv de potência e 89,9 kgfm de torque. Além disso, o SUV conta com tração nas quatro rodas, câmbio automático de dez marchas e rodas de 22 polegadas.
O interior é igualmente imponente. Uma tela de 55 polegadas se estende por toda a cabine, e os acabamentos incluem madeira, couro e materiais nobres. Trata-se, portanto, de um dos SUVs mais sofisticados disponíveis no mercado mundial.
Como funciona a importação independente?
A importação independente permite que pessoas físicas e jurídicas tragam carros ao Brasil sem depender das fabricantes. No entanto, o processo é regulado pelo programa Mover e exige o cumprimento de uma série de etapas burocráticas.
Os principais passos do processo são:
- Verificação da quilometragem do veículo, que deve ser próxima de zero (cerca de 300 km é o limite aceito pela alfândega);
- Comprovação de compatibilidade entre a renda do comprador e o valor do veículo;
- Obtenção de Licença de Importação junto ao Ibama, que verifica emissões e ruído;
- Emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT) pelo Denatran;
- Registro da Declaração de Importação no Sistema de Comércio Exterior, ligado à Receita Federal.
Com toda a documentação em ordem, o veículo segue para registro e emplacamento no Detran, como ocorre com qualquer carro nacional.
Além da extensa burocracia, os impostos são o fator que mais pesa no bolso. O preço do veículo pode praticamente dobrar ao somar Imposto de Importação, IPI, ICMS, taxas aduaneiras e custos de documentação.
Para um veículo avaliado em US$ 100 mil, por exemplo, as taxas de aduana e transporte somadas podem ficar entre R$ 80 mil e R$ 120 mil.
Além disso, há os custos de embarque no país de origem, transporte por navio cargueiro e desembarque no Brasil. Como exemplo prático, uma Tesla Cybertruck foi vendida em outubro de 2025 por cerca de R$ 900 mil no Brasil.
Nos Estados Unidos, o mesmo modelo custa aproximadamente US$ 115 mil, o equivalente a R$ 600 mil. Fora que todo o processo, mesmo quando o carro já está pronto no país de origem, pode durar até 90 dias.
Manutenção: onde mora o problema
A dor de cabeça não termina com o emplacamento. Um veículo importado de forma independente não conta com a garantia da fabricante no Brasil, mesmo que a marca tenha operação no país.
O mesmo vale para peças e assistência técnica.
A Honda, por exemplo, não é obrigada a fornecer garantia ou peças para modelos da Acura importados de forma independente, ainda que seja a proprietária da marca.
Da mesma forma, a Ford não precisa atender um Mustang 2.3 turbo importado individualmente, mesmo que venda o Mustang GT oficialmente no Brasil.
As dificuldades mais comuns para quem importa de forma independente são:
- Peças com prazo de até 30 dias para chegar ao Brasil;
- Manutenção restrita a oficinas especializadas, com custo elevado;
- Componentes de alta tecnologia que podem ser prejudicados pelo combustível brasileiro, com cerca de 30% de etanol;
- Suspensão calibrada para pavimentos estrangeiros, incompatível com as condições das estradas brasileiras.
Por fim, marcas como Cadillac, Tesla e Hummer estão entre as mais buscadas nesse regime de importação.
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No caso da Cadillac, a demanda deve crescer ainda mais com a chegada oficial da marca ao Brasil prevista para o fim de 2026, o que aumentará o conhecimento do público sobre os modelos da fabricante.
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