Algumas histórias do futebol atravessam gerações e permanecem vivas na memória de quem as protagonizou. Para Raimundo Nonato Mesquita, o Mesquita, uma dessas lembranças tem data, lugar e adversário bem definidos: 25 de outubro de 1975, Maracanã e Flamengo. Naquele sábado, diante de cerca de 30 mil torcedores, o Remo venceu o time carioca por 2 a 1, com gols de Alcino, já falecido, e Mesquita. Zico marcou para os donos da casa.
Raimundo Nonato Mesquita, o Mesquita, marcou o segundo gol do Remo naquele histórico confronto e estará entre os homenageados no mosaico preparado para o duelo deste domingo (6), contra o próprio Flamengo, no Mangueirão, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. Além de Mesquita, a torcida também fará uma homenagem a Alcino, maior ídolo da história do Remo e autor do primeiro gol diante do Flamengo em 1975. Os dois jogadores foram responsáveis pelos gols da última vitória azulina sobre o Rubro-Negro.
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Atualmente, Mesquita é engenheiro agrônomo responsável pelo gramado do Mangueirão, onde Remo e Flamengo se enfrentam neste domingo (6), às 16h, pela Série A do Campeonato Brasileiro. Ao recordar aquela tarde no Maracanã, Mesquita não esconde a emoção. O adversário era um dos grandes times do futebol brasileiro, liderado por Zico e com outros nomes importantes, como Adílio, Rondinelli e Rodrigues Neto. “Está voltando, está voltando. A ficha volta. Vem aquele filme legal, de dizer que fizemos história", disse
O Remo abriu o placar, mas Zico deixou tudo igual. Foi então que Mesquita apareceu para marcar o gol que garantiu a vitória azulina por 2 a 1. "Aquele time do Remo fez história”, relembra. “Fizemos 1 a 0, o Zico fez 1 a 1 e eu fiz 2 a 1. Aquilo para nós foi o máximo”, conta o ex-jogador. Segundo Mesquita, o resultado foi tão inesperado que até o próprio Zico teria deixado o gramado inconformado com a derrota. “O Galinho de Quintino ficou com raiva e saiu esbaforando todo mundo, dando dura no pessoal. Não acreditou, mas teve que engolir”, relembra, aos risos.
A camisa 10 de Zico
A partida também rendeu a Mesquita uma lembrança especial. Depois do apito final, ele pediu para trocar camisas com Zico e recebeu justamente a camisa 10 do craque rubro-negro. “Troquei camisa com Zico naquele jogo, ganhei a de número 10, mas tive de doar para uma pessoa especialíssima. Depois do jogo, Zico estava aborrecido. Pedi para trocar, ele me olhou meio esquisito, mas trocamos. Doei, mas aquele momento está gravado”, conta.

“Foi o gol da loteria”
O gol marcado por Mesquita também ficou associado a uma curiosidade fora das quatro linhas. Segundo ele, um apostador da Loteria Federal acabou ficando rico graças ao resultado daquela partida. O ex-atacante lembra que o gol nasceu de uma cobrança de escanteio e que precisou se atirar para alcançar a bola. “Aquele dia o Flamengo não ganharia", afirmou.
“Foi o gol da loteria. Nesse dia ganhou só uma pessoa. Esse camarada deu graças a Deus pelo meu gol. Ficou rico! Nem para chegar e oferecer um bichinho para a gente”, brinca. "Além de sorte, jogamos muita bola. Meu gol saiu de um escanteio cobrado pela ponta direita, a bola veio no chão, entrei de carrinho, me chutando todo, mas não estou nem aí”, recorda.
Um time capaz de enfrentar qualquer gigante
Mesquita também faz questão de defender a qualidade daquela equipe do Remo. Para ele, a vitória sobre o Flamengo não foi apenas uma surpresa, mas consequência da força do elenco azulino. “Lembro com saudade daquela equipe, era uma equipe espetacular. O Remo tinha um timaço, podia jogar em qualquer lugar". Passados 51 anos, as equipes voltam a se enfrentar. "A diferença para o jogo de 1975, estávamos a vontade, mas hoje estamos meio tensos. Naquele momento, tínhamos confiança um no outro. Mas hoje em dia, a situação é bem diferente. Naquele momento, não foi só eu e o Alcino que fizemos os gols, mas Dico foi o melhor em campo e todo o time foi muito bem", concluiu.
Ídolo em campo e homenageado fora dele
Nascido em Belém, Mesquita defendeu os três grandes clubes do futebol paraense. Revelado pela Tuna Luso, também passou pelo Paysandu, mas foi no Remo que construiu uma das trajetórias mais marcantes. Com mais de 130 gols pelo Leão e dez títulos conquistados ao longo da carreira, o ex-atacante se tornou um dos personagens importantes da história azulina.
Atualmente, Mesquita trabalha como engenheiro agrônomo e é responsável pelo gramado do Mangueirão. O estádio que hoje recebe Remo x Flamengo também será palco de uma homenagem especial ao jogador que, há 51 anos, ajudou a escrever uma das páginas mais importantes do confronto.
Mangueirão terá casa cheia
A expectativa é de grande público para o reencontro entre Remo e Flamengo. Mais de 45 mil torcedores são esperados no Mangueirão, em uma partida que coloca equipes com objetivos opostos na tabela. O Flamengo ocupa a segunda colocação do Brasileirão, apenas um ponto atrás do líder Palmeiras, e busca a vitória para continuar na briga pelo título.
O Remo, por outro lado, está na 19ª posição e luta contra o rebaixamento. O Leão precisa dos três pontos para tentar iniciar uma reação na reta final da competição. Com bandeirão e mosaico nas arquibancadas, a torcida azulina pretende transformar o domingo em uma celebração da história do clube — e lembrar os heróis que, em 1975, fizeram o que nenhum outro time do Remo conseguiu repetir desde então: vencer o Flamengo.
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