Os relatos recentes dos padres Fábio de Melo, Marcelo Rossi e Reginaldo Manzotti expõem um alerta importante para a saúde pública no Brasil. Em diferentes momentos e com trajetórias distintas dentro da Igreja Católica e da vida pública, os três religiosos descreveram experiências pessoais com a depressão, um transtorno mental que atinge milhões de pessoas no país e no mundo.
No caso de Fábio de Melo, os sinais da doença apareceram ainda antes da vida sacerdotal. Ele já relatou ter sido uma criança marcada por tristeza e melancolia persistentes, sentimentos que só mais tarde compreendeu como parte de um quadro depressivo. “Fui um menino muito triste, melancólico, às vezes sombrio e era um traço da minha personalidade com o qual eu convivi durante muito tempo até perceber que tinha nome”, afirmou em entrevista à Globo.
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Mesmo com a projeção nacional como sacerdote e artista, reunindo milhões de seguidores, o quadro não deixou de se manifestar ao longo da vida. Segundo ele, a situação se agravou ainda mais após a morte da mãe. Atualmente, aos 55 anos de idade, ele afirma lidar com oscilações emocionais e seguir tratamento médico e terapêutico.
“Faço o processo terapêutico-químico. Tenho muita dificuldade com a terapia falada, porque eu não sei se me investiguei demais ao longo da vida e tenho uma sensação de que eu não estou procurando respostas mais, estou preferindo conviver com a pergunta”, disse.
Outro caso de grande repercussão foi o de Marcelo Rossi, que também expôs publicamente o impacto da depressão na vida. O padre relatou ter enfrentado um período em que perdeu até o prazer de atividades básicas do dia a dia. “Em 1º de outubro de 2013 foi o dia em que tomei consciência de que eu precisava me cuidar”, disse durante uma missa recente. “Eu perdi até o gosto da comida", revelou.
Ele afirmou ainda que a experiência mudou a percepção dele sobre a doença. “Deus permitiu que eu fosse no fundo do fundo do fundo do poço. Confesso que não acreditava em depressão, achava frescura. Deus permitiu que eu experimentasse e compreendesse", disse. Segundo o religioso, fatores físicos e emocionais, como um acidente doméstico e a mudança de rotina, teriam contribuído para o agravamento do quadro.
Já o padre Reginaldo Manzotti também relatou ter vivido períodos de forte desânimo e apatia. Em entrevista ao jornal O Globo, ele descreveu o momento como um período de esgotamento emocional. “Tive problemas sérios e, por um período de tempo, me senti apático, desmotivado, sem ânimo ou vigor”, afirmou.
Ele destacou a importância do acompanhamento profissional durante o processo de recuperação. “Pode-se dizer que foram momentos depressivos. Procurei ajuda, fiz terapia e foi de grande importância esse processo para elaborar e compreender o que estava passando. Sou um grande defensor desse acompanhamento", disse.
Em mensagens ao público, Manzotti também chama atenção para as múltiplas causas da doença. “A depressão pode vir do desemprego, do luto, de traumas psicológicos”, disse. “Pode ser leve, moderada ou grave", completou.
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Os relatos dos padres expões um cenário comum. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada cinco pessoas no mundo já enfrentou, enfrenta ou enfrentará sintomas de depressão ao longo da vida. Além disso, a projeção é de que o transtorno se torne o mais comum do planeta até 2030.
A OMS também aponta que cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, em grande parte associado a transtornos mentais. No Brasil, a média é de 38 suicídios por dia. A maioria das vítimas é composta por homens, que representam mais de 70% dos casos, o que equivale a quase 10 mil mortes anuais.
Profissionais da saúde alertam que muitos desses casos envolvem transtornos não diagnosticados, agravados por barreiras culturais que dificultam a busca por ajuda, especialmente entre os homens.
Ao compartilharem as experiências com a doença, os relatos dos padres reforçam que a depressão não distingue profissão, fé, visibilidade pública ou condição social e se apresenta como uma condição séria, frequentemente silenciosa, que exige atenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.
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