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Documentário poético “Cordel da Marujada” estreia nesta terça

Filme "Cordel da Marujada" mistura documentário, fantasia e poesia para contar a história de um dos berços de uma das mais tradicionais manifestações paraenses.

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Imagem ilustrativa da notícia Documentário poético “Cordel da Marujada” estreia nesta terça camera O filme tem narração em formato de cordel pelo próprio Mestre Come Barro. | Divulgação

Um mergulho poético na cultura popular do nordeste paraense chega às grandes telas na próxima terça-feira (5). O curta-metragem “Cordel da Marujada” será exibido durante a programação do Festival Amazônia FiDoc, o maior evento de cinema da região Norte.

O filme integra a Mostra Amazônia Legal e marca a estreia de Gabriel Paixão na direção. A produção apresenta um documentário poético, com alguns momentos encenados por pessoas da Irmandade de Maria Pretinha de Quatipuru. O documentário transforma a tradição oral em linguagem cinematográfica ao narrar, em forma de cordel, a origem da Marujada de Quatipuru, uma das mais tradicionais manifestações culturais afro-amazônica dedicada a São Benedito e preservada há mais de dois séculos no Pará.

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Quem narra a história é o Mestre Come Barro, mestre de cultura popular e um dos maiores nomes da preservação da Marujada de Quatipuru, que conduz o público por uma travessia entre passado e presente, mesclando documentário, reencenação e elementos de fantasia. A narrativa se constrói a partir das vivências do próprio mestre, passando por cenários que vão de sua casa aos campos naturais da região, além das celebrações da festividade.

A obra destaca ainda o caráter vivo da manifestação cultural, que continua em constante transformação sem perder suas raízes históricas, com equipe técnica que reúne nomes como Adrianna Oliveira, responsável pela montagem e finalização; Fernanda Brito Gaia e Igor Amaral, na direção de fotografia; Léo Chermont, no som direto, edição e mixagem; e produção executiva de Waldeir Oliveira.

Documentário poético “Cordel da Marujada” estreia nesta terça
📷 |Divulgação

HISTÓRIA E CULTURA DA AMAZÔNIA

Gabriel conta que o filme nasceu a partir de seu encontro com o mestre Come Barro, intermediado pelo músico Júnior Cabralli, um dos músicos que ainda mantêm viva a tradição da rabeca fora de Bragança.

“O mestre Come Barro é uma liderança completa. Ele atua na Marujada, no carimbó. A partir daí a gente começou a escrever alguns projetos, tentar provar algumas coisas, voltado para salvaguarda da Marujada”, explicou o diretor.

A ideia do filme ganhou forma durante a elaboração de um projeto para o edital da Lei Paulo Gustavo. Paixão buscava uma abordagem que fosse além do formato tradicional de entrevistas e lembrou de um cordel que tinha ganhado do mestre Come Barro, que foi o grande estalo para o caminho narrativo. “A primeira estrofe dizia que ‘este mundo é um cinema, se apresenta em nossa vista, enquanto o pobre sofre, goza o capitalista, enquanto um se diverte em outro serve de artista’, e aí ele narra todinha a história da Marujada, principalmente sua origem”, contou Gabriel.

Com isso, o documentário adota uma linguagem menos tradicional, mesclando ficção e imagens documentais. Um dos destaques da produção é a participação da própria comunidade. Os atores que interpretam os primeiros marujos e marujas são integrantes da Irmandade de Maria Pretinha, grupo liderado pelo mestre e responsável pela realização da festa na região.

“É um trabalho que teve uma pesquisa muito fina da trajetória do Come Barro, que essa pesquisa propriamente é dele, mas foi feito através justamente desse trabalho que a gente vem construindo junto com a comunidade”, reforçou Paixão.

Documentário poético “Cordel da Marujada” estreia nesta terça
📷 |Divulgação

A produção levou cerca de dois anos e meio para ser concluída, enfrentando desafios típicos do cinema independente, especialmente no interior da Amazônia. “Foi muito, muito difícil. É muito complexo fazer um filme, ainda mais de baixo orçamento, ainda mais no interior, ainda mais com uma equipe formada principalmente por iniciantes. Então essa estreia vem como um grande alívio, um suspiro de alegria de estar em um festival tão grande, tão importante”, afirmou o diretor.

Além da estreia no festival Amazônia FiDoc, o filme também terá sessões especiais em comunidades de Quatipuru e outras da região bragantina. “Eu quero ver se a gente ainda consegue fazer uma sessão no Cine Líbero também. Ainda vai deve acontecer, mas não tem data prevista”, concluiu Gabriel.

Enquanto isso, o público pode acompanhar novidades sobre o filme por meio das redes sociais do projeto no @cordeldamarujada.

Serviço

Estreia do filme “Cordel da Marujada” - Amazônia FiDoc, Mostra: Amazônia Legal

  • Data: 05 de maio de 2026
  • Horário: 18h30
  • Local: Sesc Ver-o-Peso, Av Boulevard Castilho França, 522/523. Campina – Belém.
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