A advogada e influenciadora Deolane Bezerra enfrenta crises de síndrome do pânico na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, segundo documento da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). O relatório, utilizado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), aponta que ela pediu para dividir cela com outra detenta por medo de permanecer sozinha durante a noite e reforça o pedido para que a Justiça negue sua transferência para prisão domiciliar.
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Deolane Bezerra tem enfrentado crises de síndrome do pânico enquanto está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. A informação consta em um documento da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), utilizado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) para contestar o pedido da defesa pela transferência da investigada para prisão domiciliar.
De acordo com o relatório, Deolane relatou sentir medo de passar mal durante a noite caso permanecesse sozinha na cela. Por esse motivo, solicitou autorização para dormir na companhia de outra detenta. Embora tenha passado a pernoitar em outra cela, seus pertences continuam armazenados no espaço originalmente destinado a ela.
Para o Ministério Público, o pedido demonstra que a permanência em cela compartilhada ocorreu por decisão voluntária da própria influenciadora. O órgão ressalta que havia disponibilidade para que ela ocupasse uma cela individual, mas a opção foi recusada em razão do quadro de ansiedade.
O documento também informa que, enquanto dorme na cela de outra presa, Deolane permite que uma detenta utilize sua cela durante a noite. Segundo o relatório, isso ocorre porque o local possui uma televisão, benefício que não está disponível em todas as celas da unidade.
Ainda conforme o MPSP, a chegada da influenciadora coincidiu com melhorias estruturais no Pavilhão Especial, como a instalação de um bebedouro de água gelada. Apesar de algumas internas associarem a mudança à presença de Deolane, a administração do presídio afirma que a medida faz parte de melhorias destinadas a todas as custodiadas. O relatório também registra a substituição de seu colchão e de sua colcha por itens novos.
Ao rebater os argumentos apresentados pela defesa, o Ministério Público afirma que não foram constatadas irregularidades relacionadas às condições de saúde, alimentação, higiene ou segurança da detenta. O órgão também nega problemas como superlotação, falta de água potável ou infestação por animais peçonhentos na unidade.
Segundo o parecer, a cela ocupada por Deolane no Pavilhão Especial já oferece condições que limitam o contato com as demais presas. Além disso, o documento destaca que havia disponibilidade para sua permanência em cela individual, mas a própria investigada preferiu compartilhar o espaço devido às crises de síndrome do pânico.
"O quadro apresentado é de síndrome do pânico e receio de permanecer sozinha durante o período em que as portas das habitações permanecem fechadas. A permanência em cela conjunta ocorreu de forma voluntária e com o consentimento da outra presa", registra o relatório.
A prisão de Deolane integra um desdobramento da Operação Lado a Lado, investigação iniciada em 2019 após a apreensão de bilhetes ligados à facção criminosa PCC na Penitenciária II de Presidente Venceslau. As apurações identificaram uma transportadora suspeita de atuar como braço financeiro da organização criminosa e apontaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis.
Segundo os investigadores, a influenciadora passou a ser alvo da investigação após a identificação de repasses financeiros, movimentação de valores milionários, incompatibilidades patrimoniais e supostos vínculos com pessoas ligadas ao esquema investigado.
Presa desde 22 de maio, Deolane teve sua defesa apoiada pela Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), que solicitou à Justiça sua transferência para prisão domiciliar ou para uma Sala de Estado-Maior. A entidade sustenta que a penitenciária onde ela está custodiada não atende aos requisitos definidos pela jurisprudência para esse tipo de recolhimento.
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Em nota, a OAB-SP afirmou que atua exclusivamente para garantir o respeito às prerrogativas da advocacia quando solicitada pelo profissional ou por sua defesa, negando qualquer tratamento privilegiado à influenciadora.
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