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COLUNA JOÃO DE DEUS

O Pará vai às urnas e a energia precisa estar pronta

Descubra como a energia elétrica é vital para a eleição no Pará. Um planejamento eficiente para garantir o voto de milhões.

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Imagem ilustrativa da notícia O Pará vai às urnas e a energia precisa estar pronta camera Urna eletrônica conta com bateria e sistemas de contingência, mas a votação depende de uma estrutura ampla para funcionar. | Divulgação/ TRE

Neste domingo, 6.265.355 paraenses estarão aptos a votar. Em um estado com 144 municípios, dimensões continentais, rios que funcionam como estradas e milhares de localidades de difícil acesso, realizar uma eleição é também uma enorme operação de infraestrutura. E há uma estrutura que quase sempre só é percebida quando falha: a energia elétrica.

A urna eletrônica possui bateria e procedimentos próprios de contingência, mas uma eleição envolve muito mais que a urna. Escolas, cartórios, sistemas de comunicação, iluminação, transmissão de dados, segurança e estruturas de apoio dependem direta ou indiretamente de fornecimento confiável.

Por isso, a ANEEL determinou para os dias de votação a suspensão de intervenções não emergenciais, o reagendamento de manutenções que possam coincidir com votação e apuração e o reforço das equipes de atendimento, com atenção especial aos locais de votação e à Justiça Eleitoral.

No Pará, o desafio ganha outra dimensão. Dos 144 municípios, 69 dependem total ou parcialmente de transporte hidroviário para a realização das eleições, e o TRE estima em 400.536 o número de eleitores ribeirinhos.

No dia 22 de setembro, a Equatorial Pará apresentou ao TRE seu Plano de Contingência para as Eleições 2026. O estado foi dividido em 12 grandes áreas operacionais, com equipes preparadas para atuar nos cerca de 3.900 locais de votação considerados no planejamento e reforço em pontos estratégicos.

Há locais que já merecem atenção especial. O próprio TRE recebeu manifestações das zonas eleitorais sobre picos e quedas de energia em Curuçá, Soure, Chaves, Limoeiro do Ajuru, Ponta de Pedras, Tucumã, Cametá e Concórdia do Pará. Diante dessas informações, a Equatorial informou que faria uma varredura preventiva nessas áreas antes da eleição.

É exatamente isso que se espera de uma operação dessa natureza: conhecer os pontos vulneráveis antes que uma ocorrência se transforme em problema.

Há ainda a realidade dos sistemas isolados. Segundo o planejamento do ONS para 2026, a Equatorial Pará ainda atende 10 sistemas isolados, localidades cujo suprimento de energia não está conectado ao Sistema Interligado Nacional.

Nesses locais, o desafio não é apenas elétrico. É também logístico. Por isso, a ANEEL determinou atenção aos estoques de combustível, disponibilidade de peças e materiais e reforço das equipes de operação e manutenção. Na Amazônia, não basta ter o equipamento ou o profissional. É necessário conseguir fazê-los chegar ao lugar certo no tempo necessário.

Mesmo com prevenção, falhas podem ocorrer em alimentadores, transformadores, postes ou nas próprias instalações internas dos prédios. Nessas horas, rapidez depende de três fatores: saber onde está o defeito, ter equipe e material disponíveis e manter comunicação direta entre a distribuidora e a Justiça Eleitoral.

Neste domingo, milhões de paraenses estarão pensando em candidatos, urnas e votação. Pouquíssimos estarão pensando em alimentadores, transformadores, centros de operação ou equipes de emergência.

E é exatamente assim que deve ser.

Se mais de seis milhões de paraenses puderem exercer normalmente o direito de votar sem precisar lembrar que por trás daquela eleição existe também uma enorme infraestrutura elétrica, o sistema terá cumprido uma de suas missões mais importantes.

Porque, em uma eleição, a melhor notícia sobre a energia é esta: ninguém precisou falar dela.

João de Deus Lobato é engenheiro eletricista, ex-executivo da distribuidora do Pará, articulista semanal do Diário do Pará, do portal DOL e da Gazeta do Amapá, consultor em energia e apresentador do podcast ÉLivre com João Lobato.

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