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MAIS DE 60 QUILOS

Há 43 anos maior pepita de ouro do Brasil era encontrada no Pará

Achada em Serra Pelada com 60,8 kg, a Pepita Canaã superou o destino das gigantes australianas e permanece em exposição no Museu de Valores, em Brasília

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Imagem ilustrativa da notícia Há 43 anos maior pepita de ouro do Brasil era encontrada no Pará camera Encontrada em 13 de setembro de 1983 no garimpo de Serra Pelada (PA), a Pepita Canaã pesa 60,8 kg e é o maior exemplar de ouro preservado no mundo. | Reprodução Banco Central

No dia 13 de setembro de 1983, a história da mineração brasileira registrou um de seus episódios mais emblemáticos. Em pleno apogeu do garimpo manual de Serra Pelada, no estado do Pará, o garimpeiro Júlio de Deus Filho localizou, no setor conhecido como Garimpo de Malvina, uma formação aurífera colossal de quase 150 quilos.

Durante os trabalhos de remoção e escavação do solo, a imensa rocha acabou se partindo em múltiplos pedaços. O fragmento principal recuperado, batizado como Pepita Canaã, pesou impressionantes 60,8 quilos brutos.

Análises técnicas detalhadas e registros oficiais do Banco Central do Brasil indicam que essa peça remanescente possui 56,61 quilos de ouro puro em sua composição, o que representa um grau de pureza (teor) de aproximadamente 93%.

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Caso o bloco original tivesse permanecido totalmente íntegro durante o processo de extração, superaria com folga marcos históricos mundiais da mineração.

Preservação histórica e valor patrimonial

Após a descoberta marcante em terras paraenses, a peça foi vendida pelo garimpeiro. Em 1984, o Banco Central do Brasil efetuou a compra oficial do exemplar para compor o patrimônio cultural e as reservas de bens da União.

Naquela época, a autoridade monetária adquiria o metal diretamente das áreas de lavra garimpeira para fortalecer as reservas internacionais do país.

Mantida pelo Banco Central no Museu de Valores, em Brasília, a rocha paraense atrai visitantes por ser mantida em seu estado bruto original.
📷 Mantida pelo Banco Central no Museu de Valores, em Brasília, a rocha paraense atrai visitantes por ser mantida em seu estado bruto original. |Reprodução Banco Central

O grande diferencial da Pepita Canaã em relação aos maiores registros da história internacional da mineração foi o seu destino final. As maiores formações de ouro já catalogadas no planeta — todas descobertas na Austrália ao longo do século XIX, como a Holtermann Nugget (100 kg com quartzo), a Welcome Stranger (71 kg) e a Welcome Nugget (69 kg) — foram invariavelmente esmagadas ou derretidas para comercialização e fundição em barras, restando delas apenas fotografias, desenhos ou réplicas de gesso.

Ao optar por manter a pepita brasileira em seu estado natural bruto, o Brasil preservou intacto o maior exemplar de ouro massivo existente no planeta.

Acervo público no Museu de Valores

Atualmente, a Pepita Canaã integra o acervo permanente do Museu de Valores do Banco Central, localizado no edifício-sede da instituição, em Brasília. Ela é reconhecida internacionalmente como a maior pepita de ouro em exposição pública do mundo e o maior exemplar natural já registrado em solo brasileiro.

A peça atua como o principal destaque de uma vasta coleção numismática e histórica mantida pela instituição, que ultrapassa a marca de 135 mil itens, incluindo cédulas raras, moedas históricas, medalhas e outras pepitas brutas extraídas da Região Amazônica durante a corrida do ouro nos anos 1980. Décadas após sua descoberta, a icônica pedra do Pará continua aberta à visitação pública, perpetuando a memória do garimpo nacional.

1. Valor pelo Ouro Puro Contido

Segundo dados do Banco Central, a pepita contém 56,61 quilos (56.610 gramas) de ouro puro em sua estrutura.

56.610 g × R$ 730,00/g = R$ 41.325.300,00

Apenas pela cotação do metal puro no mercado internacional, a pepita vale cerca de R$ 41,3 milhões.

2. Valor pelo Peso Bruto

Considerando o peso total de 60,8 quilos (60.800 gramas) da rocha extraída:

60.800 g × R$ 730,00/g = R$ 44.384.000,00

Pelo peso bruto total, o valor chegaria a R$ 44,3 milhões.

Valor Histórico e de Colecionador

No mercado de mineração e numismática, exemplares raros como a Pepita Canaã não são avaliados apenas pelo peso do ouro comercial. Por se tratar da maior pepita de ouro preservada em estado natural no mundo, seu valor histórico e de peça única de museu supera significativamente o preço de balcão do metal bruto.

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