Uma pesquisa de opinião pública realizada pelo instituto Datafolha revela que 71% dos trabalhadores brasileiros economicamente ativos acreditam que não correm o risco de serem demitidos ou de ficarem sem emprego. No mesmo levantamento, 9% dos entrevistados responderam que enxergam alguma chance de demissão, enquanto 19% avaliam que o risco de perder a ocupação atual é grande.
De acordo com o histórico do instituto, os resultados atuais representam os indicadores de estabilidade profissional mais favoráveis do mercado de trabalho nacional desde o ano de 2013. A coleta de dados foi efetuada em um cenário macroeconômico em que a taxa de desocupação no Brasil, que calcula o percentual de pessoas em busca de recolocação, encontra-se em um nível historicamente baixo, fixada em 6,1%, após ter atingido quase 15% durante o período da pandemia de Covid-19.
Perfil do otimismo e mercado de trabalho
A percepção de segurança em relação à continuidade no emprego varia de forma significativa a depender de recortes demográficos, de renda e de escolaridade:
• Faixas mais otimistas: O sentimento de estabilidade é expressivamente maior entre os funcionários públicos, alcançando 84% de confiança, e entre cidadãos com 60 anos ou mais de idade, onde o índice chega a 80%.
• Trabalhadores de baixa renda: O otimismo apresenta recuo no grupo que recebe até dois salários mínimos (R$ 3.242), caindo para 65% o total de pessoas que não temem o desemprego.
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• Falta de medo geral: Questionados se a possibilidade de perder o trabalho gera temor, 58% disseram que a situação não lhes desperta medo, enquanto 21% apontaram esse cenário como o maior temor atual e 20% indicaram ser uma de suas preocupações.
• Ausência de preocupação por grupo: A total despreocupação com a perda da fonte de renda é predominante entre profissionais com nível superior de escolaridade (61%) e indivíduos com rendimento mensal superior a 10 salários mínimos (75%).
Metodologia da amostragem: O Datafolha ouviu 1.312 pessoas com idade igual ou superior a 16 anos, distribuídas por 139 municípios de diferentes regiões brasileiras. A margem de erro estimada para os dados consolidados é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O público-alvo da pesquisa restringiu-se exclusivamente a integrantes da População Economicamente Ativa (PEA) que estão trabalhando — englobando profissionais sob o regime CLT, trabalhadores informais, autônomos e empresários, deixando desempregados, aposentados e estudantes de fora da estatística.
Contrastes e a busca por renda alternativa
Apesar do otimismo generalizado com a manutenção das vagas de trabalho e do registro de aumento real nos rendimentos médios, a situação financeira das famílias ainda expõe vulnerabilidades estruturais.
Um levantamento complementar do Datafolha indica que aproximadamente 60% dos brasileiros declaram que não possuem recursos financeiros suficientes no mês para quitar a totalidade de suas contas. Como consequência direta desse aperto orçamentário, quase metade da população precisou recorrer a fontes de renda alternativa ou bicos nos últimos meses, um fenômeno concentrado majoritariamente na base da pirâmide salarial que recebe até dois salários mínimos.
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