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FÉ E IMPROVISO

Saiba porque a segunda camisa da seleção brasileira é azul

Diante do desespero de reviver o trauma do uniforme branco, o chefe de delegação brasileira encontrou na Padroeira a saída para vestir os futuros campeões

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Imagem ilustrativa da notícia Saiba porque a segunda camisa da seleção brasileira é azul camera Camisa azul da Seleção Brasileira usada na decisão contra a Suécia | Lucas Figueiredo/CBF

A história do futebol é escrita por táticas, craques e gols, mas, às vezes, um toque de improviso e devoção muda os rumos da identidade de uma nação. A icônica camisa azul da Seleção Brasileira, hoje consagrada como o segundo uniforme oficial do país, nasceu de um imprevisto dramático às vésperas da final da Copa do Mundo de 1958, na Suécia.

Após superar os traumas de mundiais anteriores, o Brasil chegou à grande decisão credenciado pelo futebol vistoso do jovem Pelé e de Garrincha. No entanto, um sorteio protocolar trouxe um grande impasse: a adversária e dona da casa, a Suécia, também jogava de amarelo.

Pelo regulamento da FIFA, a equipe visitante deveria trocar de vestimenta. O problema era que o Brasil simplesmente não tinha um plano B preparado na mala.

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A primeira sugestão natural foi resgatar o antigo uniforme branco. A ideia, contudo, foi rechaçada imediatamente pela comissão técnica e pelos jogadores. A cor carregava o amargo estigma do "Maracanazo", a trágica derrota para o Uruguai na final de 1950. Vestir branco novamente soava como atrair o azar, algo que o abalado psicológico do elenco não aguentaria.

Sabendo que a Padroeira do Brasil usava um manto azul, Paulo Machado decretou que a equipe jogaria com aquela cor na Copa de 1958
📷 Sabendo que a Padroeira do Brasil usava um manto azul, Paulo Machado decretou que a equipe jogaria com aquela cor na Copa de 1958 |Biblioteca Católica

Foi nesse cenário de extrema tensão que entrou em cena a figura de Paulo Machado de Carvalho, o chefe da delegação brasileira. Buscando acalmar os atletas, ele teve um estalo de inspiração divina ao lembrar-se de Nossa Senhora Aparecida. Sabendo que a Padroeira do Brasil usava um manto azul, ele decretou que a equipe jogaria com aquela cor, assegurando aos jogadores que a santa os cobriria com sua proteção.

Com a decisão tomada na base da fé, começou uma corrida contra o tempo em Estocolmo. Funcionários saíram às pressas pelas ruas suecas para comprar camisas azuis em lojas de esporte locais. Na véspera do jogo, uma verdadeira força-tarefa passou a noite desfiando e costurando os escudos da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e os números amarelos, retirados dos uniformes titulares.

Imagem original de Nossa Senhora Aparecida recebe novo manto
📷 Imagem original de Nossa Senhora Aparecida recebe novo manto |Thiago Leon/Santuário Nacional

O desfecho daquela jornada entrou para a eternidade. Vestido de azul, o Brasil goleou a Suécia por 5 a 2, conquistou o seu primeiro título mundial e exorcizou os fantasmas do passado. O manto improvisado deu tão certo que foi incorporado definitivamente à nossa história, provando que o segundo uniforme do país nasceu de uma noite em que a fé e a criatividade costuraram a nossa primeira estrela.

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