Um incêndio de grandes proporções consome, há cerca de uma semana, terrenos da Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu, no sul do Pará. O fogo teve início em áreas de pastagem ilegal recém-desocupadas durante a operação de desintrusão do Governo Federal.
Com a força dos ventos e o impacto de até 12 dias consecutivos de seca, brigadistas e lideranças do povo Parakanã temem que as chamas avancem sobre a floresta densa e alcancem as comunidades locais.
Análises do Instituto Socioambiental (ISA) confirmam a gravidade do cenário: entre 31 de maio e 23 de agosto de 2026, foram identificados 377 focos de calor no território. O mês de agosto concentrou mais de 90% dos registros (340 focos).
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Ao contrário dos relatórios iniciais, dados de satélite mostram que o fogo não se limita a pastos degradados. Cerca de 27% dos focos apresentam intensidade alta ou extrema, confirmando a destruição de floresta primária.
O levantamento do ISA destacou ainda a formação de um "superincêndio" no dia 20 de agosto. Três grandes focos simultâneos responderam por mais de 15% de toda a energia radiativa emitida na área nos últimos três meses.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou que parte das queimadas apresenta indícios de ação criminosa, embora também investigue outras causas, como práticas tradicionais de queima. O caso foi levado ao Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman), e o Ibama foi acionado para reforçar a fiscalização.
Em nota, a Funai declarou manter articulação constante com as lideranças Parakanã por meio da Frente de Proteção Etnoambiental Médio Xingu. A Força Nacional de Segurança Pública já cumpre agenda de proteção na TI Apyterewa em apoio à Polícia Federal e poderá atuar no combate às chamas caso seja formalmente demandada pelos órgãos ambientais.
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