Os desafios da saúde pública no Brasil seguem exigindo atenção redobrada de autoridades, profissionais e da sociedade civil. Entre doenças crônicas, condições infecciosas e agravos associados ao envelhecimento da população, o câncer permanece como uma das principais preocupações sanitárias do país.
Nesse cenário, o acompanhamento estatístico e a divulgação periódica de estimativas oficiais tornam-se ferramentas fundamentais para orientar políticas públicas, estratégias de prevenção e organização da rede de atendimento.
A Estimativa 2026
Incidência de Câncer no Brasil, divulgada no início do mês pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA)1, aponta que este ano 12.220 brasileiros deverão ser diagnosticados com leucemia. O número é 21% superior ao de dez anos atrás, quando o instituto projetou o registro de 10.070 novos casos2. De 2016 a 2025, a população cresceu 3,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)3,4.
A hematologista Renata Lyrio, da Oncologia D’Or, atribui o aumento ao envelhecimento acelerado da população e à melhoria do diagnóstico. “Apesar do crescimento de casos, a gravidade da doença diminuiu, graças aos avanços do tratamento, o que aumentou o tempo e a qualidade de vida dos pacientes”, afirma a especialista.
A campanha Fevereiro Laranja é um momento oportuno para a disseminação de informações sobre essa doença do sangue. Nela, as células brancas passam a se proliferar de maneira desordenada na medula óssea, substituindo as células saudáveis. A neoplasia é mais comum nos homens, atingindo em especial crianças até quatro anos e idosos a partir dos 70 anos.
Conteúdos relacionados:
- Hospital Ophir Loyola detalha sinais e sintomas da leucemia
- Cientistas descobrem como "desativar" gene que causa câncer
Pesquisa
Um estudo chinês5 publicado em novembro analisou o impacto da leucemia em 204 países, entre 1990 e 2021, com base nos dados do Global Burden of Disease Study 2021, da University of Whashington, nos Estados Unidos. Apesar do crescimento de 2
8% dos casos da doença, houve uma queda de 16% nos anos de vida perdidos por mortes prematuras ou vividos com incapacidade pelos pacientes. A métrica, conhecida por DALY (do inglês Disability-Adjusted Life Year), é usada para mensurar o impacto de uma enfermidade em uma população.
Os pesquisadores constataram que a redução de DALYs está fortemente associada a avanços no arsenal terapêutico, como medicamentos mais seguros e eficazes para quimioterapia, terapias-alvo e transplantes de medula óssea. Infelizmente, os benefícios não alcançam todos os países de maneira uniforme. As localidades com baixa renda apresentam alta mortalidade e diagnóstico tardio.
Por ser um país emergente e de dimensões continentais, o Brasil possui regiões onde há dificuldade de acesso aos serviços de saúde, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento, levando à piora do desfecho dos casos. No território nacional, a leucemia ocupa a 13ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes na população, mas é o sexto tumor mais incidente nos homens no Nordeste e o sétimo no Norte. Nas mulheres, é o nono mais comum nessas duas regiões.
A doença
A leucemia é classificada em aguda e crônica, de acordo com a sua progressão. As agudas são mais agressivas, evoluem de forma mais rápida e os sintomas como fadiga, astenia, febre, infecção e sangramento aparecem em poucas semanas.
Já as leucemias crônicas são doenças indolentes e insidiosas. Os sintomas podem levar meses ou anos para se manifestar. Muitos pacientes somente têm o diagnóstico após realizar um exame de rotina que evidencie leucocitose. Nos casos mais avançados, podem apresentar anemia e linfonodos, fígado e baço aumentados.
A doença pode se desenvolver em dois tipos de células. Uma delas é a célula mieloide, que forma a medula óssea e produz os glóbulos brancos, as plaquetas e as hemácias. A outra é a célula linfoide, que constitui o sistema linfático, responsável pela defesa do organismo.
O diagnóstico da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) exige a realização de um exame de medula óssea com coleta de material para imunofenotipagem de medula óssea e análise genética. Já o diagnóstico da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) e Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) pode ser realizado pela coleta de sangue periférico.
Quer saber mais notícias de saúde? Acesse nosso canal no Whatsapp
Tratamento
O tratamento depende do tipo da leucemia e da idade do paciente. Nas agudas, o mais comum é a quimioterapia. Pessoas jovens ou com doenças de alto risco genético podem precisar do transplante alogênico de medula óssea, que demanda a retirada de células-tronco de um doador para serem transplantadas no paciente.
Nas leucemias crônicas, o tratamento consiste em terapia-alvo, medicamento que atinge um ou mais pontos específicos do organismo. Esta terapia apresenta boa efetividade, sendo menos tóxica que a quimioterapia convencional.
Os três fatores de risco modificáveis associados à doença, identificados pelos pesquisadores, foram o controle do peso e a cessação do tabagismo e da exposição ocupacional a carcinógenos, como benzeno. Somado a eles, a médica Renata Lyrio recomenda a prática de atividade física, a adoção de uma dieta saudável e um sono restaurador. “A consulta anual ao médico e a realização de um hemograma podem auxiliar na detecção precoce da enfermidade”, observa a especialista.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.








Comentar