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OPERAÇÃO CONTRAGOLPE

Vereador de Castanhal é preso em investigação sobre fraudes de seguro

Polícia Civil cumpre mandados, bloqueia R$ 4 milhões e desarticula esquema de estelionato com falsas comunicações de roubo de veículos.

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Imagem ilustrativa da notícia Vereador de Castanhal é preso em investigação sobre fraudes de seguro camera Entre os alvos da Operação Contragolpe está um vereador de Castanhal, suspeito de envolvimento em esquema de estelionato. | Divulgação/PCPA

Em um cenário no qual os golpes se sofisticam na mesma velocidade das conexões digitais, o crime organizado reinventa estratégias para driblar controles e explorar brechas institucionais. No Pará, a Operação Contragolpe escancarou um esquema articulado de fraudes contra seguradoras de veículos que envolvia falsas comunicações de roubo, compra de sucatas, manipulação documental e a participação de agentes públicos, entre eles um vereador e um servidor do Detran.

Deflagrada nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (10), a operação da Polícia Civil do Pará cumpriu mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Belém, Castanhal e Santa Maria do Pará, além de ações simultâneas em Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO). Até o momento, seis pessoas foram presas, entre elas um vereador de Castanhal, na Região Metropolitana de Belém, e um servidor do Departamento de Trânsito do Pará (Detran/PA). A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 4 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

CONTEÚDO RELACIONADO

A ofensiva foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores (DRFRVA), unidade vinculada à Divisão de Investigações e Operações Especiais (DRCO), com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), de outras unidades da DRCO e das Polícias Civis de Minas Gerais e Goiás.

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Durante as diligências, foram apreendidos veículos, documentos, celulares, joias, uma arma de fogo e cédulas falsas. Estas últimas utilizadas por um dos investigados para ostentação em vídeos nas redes sociais.

FALSOS ROUBOS E SEGUROS ACIONADOS

De acordo com o delegado Lincoln Vruck, titular da DRFRVA, as investigações começaram após dezenas de boletins de ocorrência registrados no Pará e em outros estados comunicando furtos ou roubos de veículos que, na prática, nunca aconteceram.

A polícia identificou que os automóveis haviam sido segurados dois ou três meses antes das falsas comunicações. O padrão chamou atenção e revelou um esquema de estelionato qualificado, tendo como vítimas as seguradoras.

ATUAÇÃO INTERESTADUAL E FRAUDE DOCUMENTAL

As apurações indicam que quatro pessoas em Minas Gerais eram responsáveis por fraudar documentos, registrar ocorrências fictícias, abrir contas bancárias em nome dos proprietários dos veículos e acionar os seguros para receber as indenizações indevidas. Após esses procedimentos, outro integrante do grupo recolhia documentos pessoais e carteiras de habilitação que seriam adulterados para consumar o golpe.

Segundo o delegado Augusto Potiguar, titular da DRCO, a associação criminosa também adquiria sucatas de veículos com perda total ou carbonizados. Esses veículos eram transferidos irregularmente para integrantes do grupo mediante pagamento indevido a um servidor da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Igarapé-Açu, no nordeste paraense.

O papel do servidor, conforme a investigação, era formalizar de maneira criminosa a transferência das sucatas, permitindo que posteriormente fossem registradas como objeto de furto ou roubo, viabilizando o pagamento das indenizações aos estelionatários.

ENQUADRAMENTO E PROVIDÊNCIAS ADMINISTRATIVAS

Os seis presos foram conduzidos à delegacia e permanecem à disposição do Poder Judiciário. Eles devem responder por estelionato qualificado, associação criminosa e falsidade ideológica.

O Detran informou que acompanha as investigações, já afastou o servidor envolvido e que a Corregedoria instaurou procedimento interno para apuração rigorosa dos fatos.

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