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MEIO AMBIENTE

Seminário na Ufra discute proteção e manejo da fauna silvestre

Seminário "Fauna Livre" ocorre nos dias 28 e 29 de maio e discute caminhos para a proteção de animais silvestres no Pará

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Imagem ilustrativa da notícia Seminário na Ufra discute proteção e manejo da fauna silvestre camera Vanessa Monteiro/Ufra

Fortalecer a gestão integrada do manejo de fauna em ações de resgate, reabilitação e soltura de animais selvagens. Esse é o objetivo do seminário “Fauna Livre: Caminhos Integrados para Proteção de Silvestres no Pará”, que ocorre nos dias 28 e 29 de maio de 2026, na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). O evento ocorre das 9h às 18h, no auditório do pavilhão de salas de aula, no campus Belém.

A organização é uma iniciativa conjunta do Grupo de Estudos de Animais Selvagens (GEAS UFRA) e da ong Proteção Animal (World Animal Protection - Wap), com apoio de órgãos como o IBAMA, ICMBio, Ministério Público do Pará e Polícia Ambiental, além de ongs e universidades. Segundo a professora Ana Silvia Ribeiro, coordenadora do GEAS e Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (Cetras Ufra), a necessidade do seminário surgiu para discutir as responsabilidades de cada órgão e melhorar a rede de atendimento no estado, que por muitos anos foi concentrada principalmente na UFRA.

Seminário na Ufra discute proteção e manejo da fauna silvestre
📷 |Vanessa Monteiro/Ufra

A programação inclui palestras que abordam desde a Conservação e bem-estar animal na legislação paraense e o os desafios e oportunidade para o Resgate e Reabilitação, até mitigação de impactos da exploração de petróleo para a fauna na Amazônia. Os participantes também poderão conhecer cases e projetos de sucesso, além da exibição de um webdoc.

“É um seminário apresentando os resultados dos trabalhos de cada instituição e parcerias. É um momento de diálogo e troca de experiência, para ensinarmos e aprendermos sobre o que está sendo feito nessa área, desde experiências que estão sendo positivas até o que precisa melhorar” explica a professora Ana Silvia.

No Pará, o GEAS UFRA, coordenado pela professora Ana Silvia desde 2011, desempenha um papel acadêmico e prático fundamental na discussão sobre a fauna. A professora também coordena o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETRAS) da UFRA, que tem capacidade de receber até 50 animais simultaneamente. Só esse ano o Cetras já atendeu 129 animais selvagens, encaminhados pelos órgãos ambientais.

Seminário na Ufra discute proteção e manejo da fauna silvestre
📷 |Vanessa Monteiro/Ufra

Segundo a coordenadora, os animais mais recebidos são aves (rapinantes e passeriformes), vítimas de traumas por colisões em vidraças, linhas de pipa e caça indevida. Também é comum o recebimento de preguiças, primatas e tamanduás, muitas vezes vítimas do tráfico de animais ou de atropelamentos em vias urbanas.

É o caso da tamanduá-mirim Betina, resgatada em uma via pública ainda com o cordão umbilical. Por ter sido cuidada por humanos e não ter tido a presença da mãe, Betina não pode ser solta na natureza, e precisa passar a vida toda em reservas conservacionistas.

Outros exemplos é o peixe-boi Serginho, resgatado ainda filhote e ferido com arpão. Longe da mãe, Serginho precisa ser alimentado com leite até os dois anos e depois passar por uma reabilitação de pré-soltura em outro local, para se adaptar ao fluxo dos rios amazônicos, antes do retorno definitivo ao habitat. Segundo a professora Ana Silvia, há pelo menos 70 peixes-bois em cativeiro no Pará, aguardando pela reabilitação e soltura.

A coordenadora explica que um desafio cultural específico da Amazônia é o hábito de manter animais silvestres como animais de estimação. “Quando esses animais crescem ou o tutor morre, eles são entregues aos órgãos ambientais. O maior entrave é o "imprint", que é quando o animal se acostuma tanto com o convívio humano que perde a capacidade de sobreviver na natureza, o que muitas vezes impossibilita sua soltura”, disse. É o caso de papagaios, macacos e jabutis em reabilitação no Cetras.

“Ainda vemos muita venda de animais silvestres em feiras, tanto para consumo, quanto para criação como ‘pet’. Mas os animais silvestres tem necessidades específicas, não podem ser criados sem autorização, precisam de manejo adequado, sob o risco de acidentes ou de transmissão de zoonoses, que são doenças transmitidas dos animais para os homens e vice-versa”, disse a professora.

Segundo a Ong Proteção Animal Mundial estima-se que 38 milhões de animais são traficados no Brasil por ano. A Lei Federal de Proteção à Fauna (nº 5197/67) proíbe caçar, capturar, comercializar e criar qualquer animal da fauna silvestre sem autorização do Estado. Já a Lei de Crimes Ambientais (nº9605/98) especificou penas/punições para crimes contra a fauna, incluindo a caça e captura na natureza.

Programação do Evento

Dia 28/05

  • 09h00: Abertura (IBAMA, UFRA, Proteção Animal Mundial).
  • 09h40: Conservação e bem-estar animal na legislação paraense (Vicente de Paula Ataíde Júnior e Maria José Vieira de Carvalho Cunha).
  • 11h00: Painel: Resgate e Reabilitação: desafios e oportunidades para os silvestres no Pará (IBAMA, UFRA, UFPA, Polícia Ambiental).
  • 14h00: Lições e aprendizados em soltura e monitoramento (Marcelo Lopes e Josie Figueiredo).
  • 15h00: Painel: Como avançar a reintrodução de silvestres no Pará (IBAMA, UFRA, UFPA, ICMBio).
  • 16h40: Ação emergencial e mitigação de impactos da exploração de petróleo para a fauna na Amazônia.

Dia 29/05

  • 09h15: Abertura.
  • 09h30: A força das parcerias: a colaboração da sociedade com o poder público (Gabriela Sales e Roched Seba).
  • 11h00: Comunicação, Redes Sociais e a influência na fauna (Roched Seba e Rodrigo Gerhard).
  • 14h00: Projeto Ararajuba (Marcelo Rodrigues Vilarta).
  • 15h00: Projeto Peixe-boi (Luiz Paulo Albarelli).
  • 16h00: Exibição do Webdoc: Xamã, no Rastro da Onça
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