Em uma época na qual política, religião e redes sociais se misturam em proporções cada vez mais explosivas, um novo episódio envolvendo o presidente dos Estados Unidos reacendeu debates sobre limites do discurso público e uso de imagens simbólicas. A controvérsia mais recente gira em torno de uma postagem que une inteligência artificial, iconografia cristã e ataques diretos à liderança da Igreja Católica.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece caracterizado como Jesus Cristo, poucos minutos após criticar duramente o Papa Leão XIV.
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Cerca de 40 minutos depois dos ataques, Trump compartilhou a imagem em suas redes sociais. Na cena, ele surge envolto em uma luz dourada, tocando a testa de um homem deitado, em uma representação que remete a um milagre de cura.
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SIMBOLISMO RELIGIOSO E MILITAR
A composição da imagem reforça elementos simbólicos. Ao redor do paciente, aparecem uma enfermeira, uma mulher ajoelhada em oração e um homem com uniforme camuflado. Outro indivíduo, vestido de verde, também acompanha a cena.
Ao fundo, destacam-se uma grande bandeira dos Estados Unidos, águias-carecas e aviões militares cruzando o céu - referências diretas ao patriotismo e ao poder militar norte-americano.

CRÍTICAS DE ALIADOS E REPÚDIO PÚBLICO
A reação negativa foi imediata. A congressista Marjorie Taylor Greene, conhecida por já ter apoiado Trump, condenou a publicação.
"Na Páscoa Ortodoxa, o presidente Trump atacou o papa porque ele se opõe corretamente à guerra de Trump contra o Irã e, em seguida, publicou essa imagem como se estivesse substituindo Jesus", escreveu. Ela ainda completou: "Eu denuncio completamente isso e estou rezando contra!!!".
On Orthodox Easter, President Trump attacked the Pope because the Pope is rightly against Trump’s war in Iran and then he posted this picture of himself as if he is replacing Jesus.
— Former Congresswoman Marjorie Taylor Greene🇺🇸 (@FmrRepMTG) April 13, 2026
This comes after last week’s post of his evil tirade on Easter and then threatening to kill an… pic.twitter.com/mq27jxJEnt
IGREJA CATÓLICA REAGE
A crítica também veio da Igreja Católica. O arcebispo Paul S. Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, manifestou preocupação com o tom das declarações.
"Lamento que o presidente tenha escolhido palavras tão depreciativas sobre o Santo Padre. O papa não é seu rival, nem um político. Ele é o Vigário de Cristo, que fala a partir da verdade do Evangelho e pelo cuidado das almas", afirmou.
PAPA RESPONDE E REJEITA CONFRONTO POLÍTICO

Durante voo rumo à África, o Papa Leão XIV respondeu às críticas e adotou um tom firme, mas conciliador. O pontífice afirmou que não teme o presidente americano e reforçou que sua missão não é política.
"Não tenho medo do presidente dos Estados Unidos. Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, pela qual a Igreja trabalha. Não somos políticos", declarou.
Ele também evitou transformar o episódio em confronto direto. "Não quero entrar em um debate com ele. A minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra", afirmou.
Leão XIV reforçou ainda que sua posição é voltada à paz e ao diálogo internacional. "Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor", disse.
O papa destacou que sua mensagem não é dirigida apenas aos Estados Unidos, mas a todos os líderes globais: "Tentemos acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação".
DECLARAÇÕES ANTERIORES AGRAVAM CRISE
Antes da postagem, Donald Trump já havia classificado o papa como "fraco" no combate ao crime e "terrível" em política externa, em publicação na rede Truth Social.
O presidente também acusou a liderança da Igreja Católica de restringir religiosos durante a pandemia de Covid-19 e chegou a insinuar preferência por Louis, irmão do pontífice.
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