Milhões de brasileiros que trabalham por conta própria poderão ter uma oportunidade de reorganizar as finanças e investir na própria atividade. O governo federal anunciou, nesta terça-feira (13) o Prospera MEI, um pacote de medidas que prevê o cancelamento de débitos tributários, a renegociação de dívidas com bancos e a transferência de recursos para pequenos empreendedores.
A principal proposta é eliminar R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias federais acumuladas por aproximadamente 3,6 milhões de microempreendedores individuais (MEIs). A iniciativa, apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda depende da aprovação de um projeto de lei complementar pelo Congresso Nacional. O pacote também prevê dinheiro que não precisará ser devolvido e descontos de pelo menos 90% na compra de dívidas bancárias.
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Quem poderá ter as dívidas perdoadas?
A proposta contempla débitos de MEIs inscritos na Dívida Ativa da União. Se o projeto for aprovado, a previsão do governo é que o cancelamento entre em vigor em 1º de janeiro de 2027. A medida prevê a eliminação integral das pendências abrangidas pela proposta, incluindo o valor principal, as multas e os juros. Segundo o governo, a iniciativa busca aliviar a situação de empreendedores que acumularam débitos e enfrentam dificuldades para manter suas atividades.
O benefício, entretanto, não deve ser confundido com um perdão já efetivado. Como a proposta ainda precisa passar pelo Legislativo, as condições anunciadas estão sujeitas à tramitação e à regulamentação. O governo também prevê exigências para a manutenção do benefício, entre elas o pagamento das guias mensais do MEI nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei.
Pix MEI prevê até R$ 5 mil para investir
Outra iniciativa anunciada é o Pix MEI, programa que prevê a transferência de até R$ 5 mil para apoiar o desenvolvimento de pequenos negócios. Diferentemente de uma linha de crédito, o recurso será concedido sem obrigação de devolução.
A proposta está em fase de estruturação e poderá destinar até R$ 5 bilhões ao longo de quatro anos, com expectativa de alcançar aproximadamente 1 milhão de empreendedores.
A intenção é permitir investimentos que melhorem a capacidade de produção e de atendimento dos negócios. O dinheiro poderá ser usado, por exemplo, para comprar equipamentos, modernizar estabelecimentos ou adquirir meios de transporte para atividades profissionais.
Ainda não foram definidos todos os critérios para receber o benefício. O governo não detalhou o calendário de pagamentos nem as exigências para selecionar os participantes. Por isso, o anúncio não significa que os empreendedores já possam solicitar ou receber o dinheiro.
Desenrola terá nova frente para pequenos negócios
O pacote também inclui uma iniciativa para enfrentar as dívidas dos MEIs com instituições financeiras. A proposta prevê que o governo compre carteiras de débitos bancários, estimadas em R$ 6 bilhões, por meio de um edital.
Para participar, os bancos deverão oferecer descontos mínimos de 90% sobre as dívidas negociadas. A seleção deverá priorizar as instituições que concederem abatimentos maiores.
A operação será diferente do perdão tributário: enquanto uma medida trata de débitos com a União, a outra busca reduzir o peso das obrigações financeiras contraídas com bancos.
Limite de faturamento poderá aumentar
O governo também pretende ampliar o teto de faturamento anual permitido para permanecer na categoria de microempreendedor individual. A proposta em discussão prevê elevar o limite atual de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.
Outra medida anunciada prevê dispensar os MEIs da emissão de notas fiscais nas vendas de produtos e na prestação de serviços para pessoas físicas. A iniciativa deverá ser formalizada por decreto, mas ainda são necessários esclarecimentos sobre a aplicação das novas regras.
O pacote inclui ainda os chamados nanoempreendedores, categoria destinada a quem tem faturamento anual de até R$ 40,5 mil. Para esse grupo, a proposta prevê dispensa da emissão de notas fiscais e da abertura de CNPJ.
O Prospera MEI reúne iniciativas com etapas diferentes de implementação. O perdão tributário e a mudança no teto de faturamento dependem de propostas legislativas, enquanto o Pix MEI ainda precisa ter suas regras e seu calendário definidos.
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A renegociação bancária e as mudanças relacionadas às notas fiscais seguem procedimentos próprios. Até que os critérios sejam oficialmente estabelecidos, os empreendedores devem acompanhar os canais do governo e desconfiar de mensagens que cobrem taxas para liberar o perdão das dívidas ou antecipar pagamentos do Pix MEI.
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