Sintomas cotidianos como o aumento da sede e a necessidade frequente de acordar durante a noite para ir ao banheiro — condição conhecida clinicamente como nictúria — costumam ser associados ao envelhecimento, ao sono leve ou ao hábito de beber água antes de dormir. No entanto, para indivíduos diagnosticados com pressão alta, esse padrão exige monitoramento médico, pois pode sinalizar que os rins estão enfrentando dificuldades para filtrar e equilibrar os líquidos e sais do organismo.
A relação entre a hipertensão e a função renal
A pressão arterial elevada e crônica é uma das principais causas de lesões renais. O fluxo sanguíneo sob alta pressão é capaz de estreitar, enrijecer e enfraquecer as paredes dos vasos sanguíneos de menor calibre, incluindo aqueles responsáveis por irrigar e nutrir os rins.
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Com a estrutura vascular danificada, o processo de filtragem de impurezas fica severamente comprometido, gerando um ciclo prejudicial ao corpo:
• Retenção hídrica: O rim passa a reter mais água e sódio, elevando o volume sanguíneo e piorando os níveis da própria pressão arterial.
• Comprometimento da urina: A capacidade de concentração urinária diminui, o que estimula a produção de urina durante o período de repouso.
• Evolução silenciosa: A doença renal crônica (DRC) é caracterizada por avançar sem apresentar sintomas claros em suas fases iniciais, o que torna os exames preventivos indispensáveis.
De acordo com uma revisão sistemática publicada no periódico científico European Urology Focus, a perda gradual da função renal altera o manejo de água e sal pelo corpo, contribuindo diretamente para a manifestação da nictúria mesmo nos estágios primários da doença.
Sinais de alerta que demandam investigação
Especialistas ressaltam que acordar duas ou mais vezes por noite para urinar de forma recorrente não confirma, por si só, uma lesão nos órgãos. Contudo, o sinal ganha relevância diagnóstica quando se manifesta de forma conjunta com outros fatores de risco ou alterações físicas.
Os principais sintomas que indicam a necessidade de avaliação laboratorial incluem:
• Sede constante, boca seca ou aumento expressivo no volume total de urina diária;
• Urina com aspecto excessivamente espumoso, coloração escura ou presença de sangue;
• Inchaço visível nos pés, nos tornozelos ou na região ao redor dos olhos (edema);
• Quadros frequentes de cansaço inexplicável, câimbras e coceira generalizada na pele;
• Níveis de pressão arterial que começam a oscilar para cima ou exigem a associação de múltiplos medicamentos para o controle.
O Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais (NIDDK), integrante dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), reitera que os principais fatores de risco para o desenvolvimento da DRC são a hipertensão, o diabetes, as doenças cardiovasculares e o histórico genético familiar.
Métodos de confirmação e prevenção
Como o comprometimento renal precoce não costuma gerar dores, o diagnóstico depende de análises clínicas simples. A triagem médica padrão para pacientes hipertensos envolve o cálculo da taxa de filtração glomerular através do exame de creatinina no sangue, além da avaliação da relação albumina-creatinina por meio de amostras de urina. Painéis de eletrólitos (como sódio e potássio) e o monitoramento residencial da pressão arterial também dão suporte ao diagnóstico.
Para proteger a integridade dos órgãos, as diretrizes de saúde preconizam manter o rigoroso controle da pressão arterial, reduzir o consumo de sal na dieta, tratar com precisão o diabetes e evitar o uso indiscriminado e sem receita de medicamentos anti-inflamatórios, que possuem potencial nefrotóxico.
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